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Com menor consumo do país, AL tem tradição de usar água de rios

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

05/02/2015 06h00

Conhecido como paraíso das águas no Nordeste, Alagoas é o Estado que tem o menor consumo per capita no país. Parte da economia responde por uma tradição secular. Graças à grande oferta de rios e lagoas, moradores utilizam essa água para uso diário, especialmente para lavar roupas.

Alguns utilizam até para consumo humano, e assim economizam água encanada e, claro, dinheiro.

Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, o consumo per capita do Estado é de 100 litros, conforme dados de 2013. Para a Organização Mundial de Saúde, uma pessoa deve gastar até 110 litros.

Segundo os dados nacionais, além de Alagoas, apenas Pernambuco --com consumo per capita de 105 litros-- conseguem ficar dentro do estabelecido pela OMS.

Em Alagoas, as autoridades alegam que a seca ajudou a reduzir o consumo nos últimos anos, o que melhorou a média. “Essa média ocorre por conta da restrição imposta pela seca, durante os anos de 2012 a 2014, e também pelas campanhas de educação ambiental, a qual orientamos as pessoas para um consumo racional da água”, afirma Jorge Briseno Torres, assessor técnico da Vice-Presidência de Gestão Operacional da Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas).

Entre 2012 e 2013, o Estado foi o que mais reduziu o consumo, com queda de 12,8% no consumo. Além disso, no ano de 2013, parte da capital, Maceió, passou por racionamento, iniciado no final do ano anterior.

Tradição das lavadeiras

A tradição das lavadeiras de rio é uma marca presente em todo o Estado. Mesmo na capital, é comum encontrar pessoas que moram próximo aos rios usar a água para atividades de casa.

Uma das pessoas que usa água de uma das nascentes do rio Pratagy, no sítio Barreiro de Barro, Luísa Lopes dos Santos, 45, conta que lava roupa no local há pelo menos 20 anos.

“Se for lavar todo dia em casa a conta fica cara. Aqui venho, sei que tem água limpa sempre, e assim pago só a taxa mínima de água”, conta a mulher, que desembolsa R$ 27 mensais pela conta de água mensal.

A aposentada Betânia da Conceição não usa a água só para lavar roupa, como também consumo e todas as demais atividades. Com oito pessoas morando na pequena casa no bairro de Riacho Doce, ela improvisou um banheiro no quintal da casa para garantir o banho reservado.

“Nunca pedi ligação da Casal porque a que tem a bica, a água é limpa e serve pra gente até beber. Criei meus filhos dando dessa água e nunca tive problema. Nem ferver precisa! Trazemos para casa em baldes e a deixamos aqui, para quando precisamos”, explicou.

A lavadeira profissional Ângela Maria da Silva, 45, conta que pelo menos quatro vezes por semana vai ao rio Saúde, no litoral norte de Maceió. Além da roupa própria, ela conta que recebe encomenda de moradores de áreas nobres da capital, que preferem economizar água em casa.

“A água aqui é limpa, a roupa sai bem limpinha. É mais fácil lavar aqui que em casa, e ainda economizo água”, contou a mulher, que mora em uma comunidade abastecida por poço.

A colega de Ângela, a lavadeira Alexandra Marques, 34, usa o rio também como fonte de abastecimento. “Não lavo roupa sempre não, venho só algumas vezes. Mas acho bom usar o rio pra isso e economizar. O problema é quando chove, que o rio traz lixo. Tirando isso, não tem problema”, resumiu.

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