MPT apura trabalho escravo de chineses em pastelarias do Rio

Do UOL, em São Paulo

Chineses mantinham cães congelados em lanchonete do Rio

O Ministério Público do Trabalho tenta fechar o cerco contra comerciantes chineses acusados de aliciar e explorar compatriotas recém-chegados ao Rio de Janeiro. Denunciado à Justiça, o dono de uma pastelaria foi condenado a oito anos e meio de prisão por tortura e por submeter um funcionário à condição análoga à escravidão. Outros donos de pastelarias tiveram de fazer acordos para regularizar a situação dos trabalhadores.

Como não sabem falar português ou conhecem pouco o idioma, as vítimas têm dificuldade para denunciar os crimes. O esquema começou a ser investigado em 2013 quando vizinhos ouviram gritos vindos de uma pastelaria situada em Parada de Lucas, na zona norte, e resolveram chamar a polícia.

Segundo Guadalupe Louro Couto, procuradora do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, o funcionário que gritava era obrigado a trabalhar mais de dez horas por dia, sofria agressões com talheres e chegou a ser queimado com azeite quente. "O menino urrava de dor", afirmou Guadalupe.

Ele passou a receber atendimento do serviço de proteção a testemunhas. O Ministério Público do Trabalhou identificou mais quatro vítimas em outras duas pastelarias do Rio. Três delas trabalhavam em Copacabana, na zona sul, e foram registradas pelo estabelecimento após um acordo.

Os trabalhadores são iludidos pelos compatriotas com promessas de salários de R$ 2.000 por mês, moradia e alimentação de graça. "Os chineses são atraídos por falsas promessas. Quando chegam aqui têm o passaporte retido, são submetidos a jornadas exaustivas e a condições análogas à escravidão, com tortura e sem direito ao lazer", disse a procuradora.

O esquema não envolve somente comerciantes. Segundo a procuradora, as vítimas chegam ao país com vistos de turistas e são recebidas por uma equipe no aeroporto. Depois de levadas para uma casa, são encaminhadas aos locais de trabalho.

As investigações para identificar outros envolvidos prosseguem em dois inquéritos abertos no Ministério Público do Trabalho, e a procuradora Guadalupe Couto pede que a população colabore fazendo denúncias contra o esquema pelo número 0800-0221-331

Casos de trabalho escravo no Brasil
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