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Depois da chuva, moradores da Grande Porto Alegre sofrem com falta d'água

Lucas Azevedo

Do UOL, em Porto Alegre

23/07/2015 21h22

Além dos sérios danos causados pelas enchentes na região metropolitana de Porto Alegre, onde centenas de famílias ainda estão fora de casa, o excesso de chuva dos últimos dez dias causa falta d'água a centenas de milhares de pessoas em quatro cidades. As estações de captação e bombeamento de água estão alagadas e, por isso, os equipamentos foram desligados.

Alvorada e Viamão estão há mais de quatro dias sem abastecimento. O prefeito de Alvorada, Professor Serginho, declarou estado de calamidade pública por conta da falta de água, informou a prefeitura.

Não bastasse a tormenta, as cheias de córregos e rios e a falta de luz, a água potável virou um elemento raro para bairros de Alvorada, Viamão, Gravataí e Cachoeirinha, todas na região metropolitana de Porto Alegre. Em Alvorada, no bairro Americana, é corriqueiro ver pelas ruas homens, mulheres e crianças andando com baldes e galões para abastecê-los em caminhões-pipa estacionados em pontos estratégicos e fornecidos pela companhia de água.

Em Viamão, por exemplo, já há relatos de falta dos próprios caminhões-pipa para contratação.
“Está bom de vender. A carga que compramos já chega aqui no depósito vendida. Não estamos dando conta de tanta procura. Descarregamos o caminhão e já temos que ir buscar de novo. Está faltando até mão de obra para buscar e vender água”, conta a dona de um posto de distribuição de água, July Zimmermann.

Ela, que não aumentou o preço do galão, exemplifica que a clientela vem se modificando nos últimos dias. “Estou vendendo água mineral para salões de beleza utilizarem no enxágue de cabelos, mães estão levando para dar banho nos filhos.”

“Tenho uma pet shop e estou sem trabalhar uma semana. A gente também tem que tomar banho de bacia. Agora aumentaram o preço da água. A vida da gente está bem complicada”, comenta a comerciante Oliane Soares, moradora de Alvorada.

A demanda também está fazendo com que o preço do galão d'água suba. Há relatos de que a bomba, que até então era encontrada por R$ 20, está sendo comercializada por alguns distribuidores por $ 30.

Recuperação

O abastecimento dos bairros depende do retorno do rio Gravataí ao seu nível. Na tarde desta quinta-feira, o Procon do Rio Grande do Sul notificou a Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento) para o retorno do abastecimento na região, mesmo que tenham que ser tomadas em um primeiro momento medidas paliativas.

Por meio de sua assessoria, a Corsan informou que está em fase final uma obra que deve permitir a retomada do abastecimento de água em Cachoeirinha e Gravataí. “A previsão é que entre em operação no início da tarde de sexta-feira a interligação de duas adutoras junto à Estação de Bombeamento de Água Bruta de Cachoeirinha. Com a medida, a Corsan prevê que o fornecimento de água comece a se normalizar gradualmente durante a tarde, nas duas cidades.”

Em Alvorada, onde 200 mil estão sem água, a companhia diz que drenou a casa de bombas e que construiu um barramento provisório para isolar a estação do rio Gravataí. “Ocorre que a estação de bombeamento precisa de energia elétrica para funcionar. Está havendo, porém, uma fuga de energia na área – o que oferece risco de acidentes ou de morte, caso o fornecimento de eletricidade seja acionado. No início da manhã de sexta-feira, as equipes tentarão identificar o ponto de fuga para, assim, conseguir anulá-lo”, prossegue o informe.

A Corsan vai contar com o apoio do Exército para reparos em locais alagados e de difícil acesso. “Com o término dos serviços, o abastecimento deverá ser retomado de forma gradual em Alvorada e Viamão”, garante a companhia.

Mais chuva

O nível dos rios da região continua subindo. Como chove nesta sexta, a tendência é aumento dos volumes d'água. Entretanto, a meteorologia prevê que a chuva não será extrema, como no início desta semana. No sábado o sol reaparece, dando uma trégua aos flagelados.

De acordo com a Defesa Civil, 65 cidades do Rio Grande do Sul sofreram com as fortes chuvas. Até esta quinta-feira (23), 1.363 pessoas estavam em abrigos públicos. 

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