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Secretário de Segurança do RS pede que população aja com as próprias mãos

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Imagem: Divulgação

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

27/09/2015 18h24

Em meio à escalada da criminalidade no Rio Grande do Sul, agravada por uma crise econômica que desencadeou o atraso de salários dos policiais civis e militares, o secretário estadual da Segurança Pública, Wantuir Jacini, descartou pedir auxílio da Força Nacional e recomendou que os cidadãos agissem com as próprias mãos. A declaração foi dada nesse sábado (26), à Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

"Concordo que a sociedade não tem esse preparo, no entanto, a lei permite que qualquer cidadão prenda em flagrante quem estiver cometendo crimes. A obrigação é da polícia, não estou dizendo que todo cidadão faça isso, mas há pessoas mais desprendidas que, se fizerem, estão respaldadas pela lei. Melhor seria não atuar, mas se for inevitável, que atuem", afirmou o secretário, no momento em que delegados vêm a público insistir que as vítimas nunca reajam a uma ameaça. 

Declaração de secretário gera críticas nas redes sociais - Reprodução
Declaração de secretário gera críticas nas redes sociais
Imagem: Reprodução


A resposta foi dada após questionamento sobre como a população deve proceder diante uma ameaça, como a que ocorreu na sexta-feira (25), quando atiradores dispararam contra um posto de saúde ferindo sete e deixando um morto na Vila Cruzeiro, zona sul de Porto Alegre. Horas depois, três homens atearam fogo a um ônibus no mesmo bairro, como represália, segundo a polícia. Quatro passageiros ficaram intoxicados pela fumaça.

A declaração de Jacini repercutiu nas redes sociais. De forma bem-humorada, porto-alegrenses criticaram o secretário. "Partiu milícia", sugere uma internauta. "Minha arma será um guarda-chuva", comentou uma outra. 

Histórico de polêmicas

Essa não é a primeira declaração polêmica do Secretário da Segurança. Em abril, ao comentar o episódio em que uma menina de sete anos morreu ao ser atingida por um tiro de fuzil enquanto dormia, Jacini deu a entender que as famílias também são responsáveis em casos como este.

"Antigamente, o pai era apenas o provedor do lar e a mãe ficava fazendo a educação. Hoje a mãe sai para prover o lar também e as crianças ficam sozinhas, ficam na rua, à mercê de todos os criminosos, principalmente nas periferias", declarou.

Já no início do mês, quando em um intervalo de 13 horas sete pessoas foram mortas na região metropolitana do Estado, o secretário relativizou a gravidade dos números: "A maioria dessas vítimas tinha antecedentes criminais, a maioria delas. Não se trata de pessoas que não tivessem antecedentes. Claro que é uma coisa que nos impacta, porque são muitas vítimas. Mas impactaria muito mais se as vítimas não tivessem antecedentes criminais. Dessas, a maioria tem. Então, é uma situação que impacta, mas não gera a mesma consternação que causaria se fossem pessoas que não tivessem antecedentes", destacou na época ao jornal Zero Hora.

Jacini foi nomeado secretário da Segurança do RS após a posse do governador José Ivo Sartori (PMDB). Policial federal, antes de assumir a pasta, ele era secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul.

A reportagem tentou contato por telefone neste domingo com a assessoria do secretário, mas não obteve retorno.

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