Samarco rebate ONU e afirma que lama de barragem em MG não é perigosa

Rayder Bragon

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Fabio Braga/Folhapress

    Boias instaladas pela Samarco tentaram conter avanço da lama que jorra da foz do rio Doce, no Espirito Santo

    Boias instaladas pela Samarco tentaram conter avanço da lama que jorra da foz do rio Doce, no Espirito Santo

A mineradora Samarco emitiu nota, nesta quinta-feira (26), na qual afirma que o rejeito que vazou da barragem de Fundão, em Mariana (MG), no dia 5 deste mês, não oferece perigo para as pessoas.

O anúncio foi feito um dia depois de a Organização das Nações Unidas (ONU), em um comunicado, ter criticado o governo e as empresas no tocante às informações sobre as medidas tomadas depois do vazamento. 

Dois especialistas da ONU em meio ambiente e resíduos tóxicos pediram ao governo brasileiro e às empresas envolvidas "que tomem medidas imediatas para proteger o meio ambiente e a saúde das comunidades em risco de exposição a substâncias químicas tóxicas, em decorrência do colapso catastrófico de uma barragem de rejeitos no dia 5 de novembro de 2015", trouxe texto publicado no site da organização.

A Samarco disse ter encomendado os testes à SGS Geosol Laboratórios que, segundo o boletim emitido, é especializada em análises ambientais e geoquímicas de solos. As amostras, conforme a empresa, foram colhidas no dia 8 deste mês próximo aos lugarejos de Bento Rodrigues, Monsenhor Horta, Pedras, Barretos e da cidade de Barra Longa, todas em Minas. O comunicado não faz menção à região do subdistrito de Paracatu de Baixo, que foi duramente atingido pela lama.

A Samarco disse que, após a análise de todos os parâmetros, o rejeito encontrado nas localidades foi classificado como não perigoso.

A nota informa que as amostras foram analisadas conforme a norma brasileira ABNT NBR 1004:2004. Os locais foram definidos como sendo os de coleta por estarem mais próximos de onde a barragem se rompeu.

Dentre os parâmetros estabelecidos, os testes, ainda conforme o comunicado, simularam diversas situações, "como manuseio do rejeito por qualquer pessoas sem cuidados, especiais, exposição a chuvas por vários anos e contato com água correntes, como enxurradas'.

O material também foi analisado para medir seu índice de acidez, neutralidade ou alcanilidade (ph), a corrosividade e a "possibilidade de gerar reação violenta, como uma explosão".

A empresa que fez os testes ainda buscou determinar se havia a presença das seguintes substâncias: alumínio, arsênio, bário, cádmio, chumbo, cianeto, cloreto, cobre, cromo, ferro, fluoretos, manganês, mercúrio, nitrato, prata, selênio, sódio, sulfato, zinco, fenóis, além de coagulantes e floculantes.

Ferro e manganês

No entanto, a Samarco informou que o rejeito coletado em Bento Rodrigues "possui ferro e manganês acima dos valores de referência da norma, mas ainda abaixo dos valores considerados perigosos'.

Já nas amostras retiradas próximas das localidades de Monsenhor Horta, Pedras, Barretos e Barra Longa, foi detectada a presença de manganês 'fora dos parâmetros, mas abaixo de valores perigosos'.

Por fim, o boletim afirma que, em razão de Mariana e Ouro Preto terem o solo "rico nestes dois elementos", estes resultados "já eram esperados".

"É importante ressaltar que a norma ABNT 10004:2004 utiliza valores de referência com base na realidade de todo o Brasil, inclusive em regiões de solo pobres em ferro e manganês", finalizou o informe. 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos