Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Em crise, governo do Rio corta até manutenção de elevadores

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

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    O corte foi feito no prédio da Secretaria de Segurança, que funciona junto à Central do Brasil, no centro da cidade

    O corte foi feito no prédio da Secretaria de Segurança, que funciona junto à Central do Brasil, no centro da cidade

A crise do Estado do Rio de Janeiro chegou também à manutenção de serviços básicos nas secretarias do governo. Nesta terça-feira (5), funcionários do prédio em que funciona a Secretaria de Segurança Pública foram informados de que a manutenção dos elevadores do local, que abriga também a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos e de Administração Penitenciária, entre outros serviços, está suspensa.

Preocupados, vários funcionários se preparam para começar a subir e descer os sete andares do prédio, localizado ao lado da Central do Brasil, no centro do Rio, pelas escadas. Uma funcionária, que preferiu não se identificar, fez graça, dizendo que agora "não tira mais o leque da bolsa". "Se a gente ficar presa, é o jeito: leque e leque", afirmou.

Antigos, os seis elevadores são operados por ascensoristas. Um deles relatou que um dos elevadores está parado desde o começo de dezembro e ainda não foi consertado. "Eles não pagam ninguém, vão pagar os mecânicos?", disse.

Os servidores do Estado também estão com os salários atrasados. O pagamento dos vencimentos de dezembro, à exceção dos trabalhadores do Judiciário, ainda não foi realizado, e governo prometeu que o valor será quitado no dia 12.

Questionado se a suspensão tinha relação com o corte de gastos promovido pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e quando o serviço seria retomado, a Secretaria de Segurança não respondeu até a publicação desta reportagem. Em dezembro, Pezão anunciou que pretende diminuir entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões as despesas com o custeio do Estado, valor que se somaria ao corte já realizado de cerca R$ 1,2 bilhão em 2015.

A situação financeira gravíssima do Estado é atribuída principalmente à queda na arrecadação de ICMS e de royalties do petróleo e atinge diversas áreas, em especial os funcionários terceirizados e a saúde. Em novembro, o chefe do Executivo afirmou que a receita fluminense caiu 16% no mês anterior, levando-o a adiar repasses e pagamentos de fornecedores. A suspensão dos repasses, entre outros problemas, deixou cerca de 20 mil terceirizados sem dinheiro e provocou a interrupção das aulas na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Em dezembro, diversos hospitais e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) do Estado tiveram os serviços suspensos ou funcionaram de forma reduzida devido a falta de verba.

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