Equipamentos usados na limpeza de Mariana são furtados em fazenda

Rayder Bragon

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

Depois da lama e de problemas variados de infraestrutura, a Prefeitura de Mariana (MG) está tendo de enfrentar furtos. Segundo a administração municipal, maquinário avaliado em R$ 2 milhões sumiu durante a limpeza de áreas de comunidades afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão, que entrou em colapso no dia 5 de novembro do ano passado.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, foram levadas uma retroescavadeira e três escavadeiras. As primeiras informações davam conta de que o equipamento havia sido alugado pela prefeitura de uma empresa local. Após o expediente, ficava guardado em uma fazenda da região. O registro do desaparecimento foi feito na última segunda-feira (11).  

No final da manhã desta quinta-feira (14), surgiram mais detalhes. No total foram dez as máquinas usadas no trabalho, cedidas por supostos representantes de uma também suposta empresa que, segundo a prefeitura, havia demonstrado interesse em ajudar, de graçaa, na limpeza das áreas atingidas.  

O prefeito Duarte Júnior (PPS) disse que o secretário de Estradas da prefeitura tinha sido procurado, no início de dezembro do ano passado, pelos suspeitos que se passaram por representantes de uma empresa. O maquinário foi oferecido de graça e um contrato foi assinado.

"Eles usaram da tragédia como pano de fundo para oferecer as máquinas. A grande maioria das pessoas que esteve em Mariana foi para ajudar. Foi um fato isolado. Recebi várias ligações de empresários que se dispuseram a ajudar na recuperação de maneira gratuita. A gente achou que se tratava de mais uma de boa índole", afirmou.

Os funcionários da prefeitura, no entanto, descobriram que as máquinas tinham sido alugadas de uma outra companhia, localizada na cidade de Conselheiro Lafaiete (96 km de Belo Horizonte). Essa empresa é  real proprietária do equipamento. O prefeito disse que os componentes de localização instalados nas máquinas foram desligado pelos falsários.

Duarte afirmou não ter desconfiado de fraude porque os suspeitos forneceram documentação de uma companhia instalada no Rio de Janeiro - que realmente existe, e que alegou à prefeitura também ter sido vítima no caso. Parte da documentação da empresa carioca foi usada para alugar as máquinas em Conselheiro Lafaiete.

Imagens de câmeras de segurança de pousada onde dois os suspeitos ficaram hospedados vão ser usadas pela Polícia Civil nas investigações. O proprietário da pousada, segundo os policiais, informou que os suspeitos não pagaram a conta e sumiram - ficaram por seis dias no local.

"O município de Mariana não foi lesado, mas várias pessoas de Mariana foram lesadas", afirmou o prefeito ao se referir à mão de obra contratada pelos suspeitos para operar as máquinas. Esse grupo também não recebeu pagamento.  

Duarte também denunciou que a administração municipal foi vítima de uma fraude com cheques. Estelionatários tentaram descontar três cheques com assinaturas falsificadas do prefeito e de secretários municipais. O alvo eram contas bancárias que continham depósitos originados de doações às vítimas do rompimento da barragem de Fundão.

"Eles tinham os número das contas, fizeram a assinatura do prefeito, dos secretários, colocaram os valores e tentaram sacar o dinheiro", afirmou Duarte.

Os saques não foram efetuados em razão dos valores altos dos cheques, que variavam de R$ 15 mil a R$ 30 mil. "Nós temos o boletim de ocorrênciaa ocorrência policial, e o caso está a cargo da Polícia Civil que vai tentar identificar os autores."

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