Ator espancado em Florianópolis diz ser vítima de crime homofóbico

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

  • Arquivo pessoal

    Por causa das agressões, Schweitzer cancelou a estreia de uma peça

    Por causa das agressões, Schweitzer cancelou a estreia de uma peça

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga uma denúncia de ataque homofóbico ocorrido no centro de Florianópolis durante o feriado de Corpus  Christi, no final de maio. A queixa foi registrada pelo jornalista e ator Nando Schweitzer, que diz ter sido espancado por um grupo de homens em frente a casa noturna 1007.

Segundo Schweitzer, ele dançava com uma amiga na casa noturna quando ouviu xingamentos. Como achou que não era com ele, ignorou. Foi quando diz ter levado um soco nas costas.

"Não vi quem me atingiu. Decidi ir embora. Na saída, fiquei esperando em frente à casa noturna enquanto minha amiga buscava o carro no estacionamento. Foi quando alguém me chutou nas costas e caí. Vi que foi um homem desconhecido, mas em seguida um grupo me atacou. Fui espancado e chutado por cerca de dez minutos", disse o ator.

Schweitzer registrou boletim de ocorrência na 1° Delegacia da Capital e depois foi encaminhado para o Hospital Celso Ramos. O ator também fez exame de corpo delito e entrou com uma ação no Ministério Público de Florianópolis.

O ator foi socorrido pelos flanelinhas que atuam na alameda Adolfo Konder e por funcionárias da 1007. "Elas me carregaram para uma sala privada onde fizeram alguns curativos na tentativa de estancar o sangue."

Uma das testemunhas da agressão afirma que Schweitzer sofreu xingamentos homofóbicos. "Um dos agressores gritou: 'Esfola a bichinha'", disse a promoter Grace Andrade, que saía da casa noturna no momento da confusão.

Estreia adiada 

O ator contou que, no dia seguinte da agressão, iria estrear em Joinville a peça "Espectros". O espetáculo só voltará aos palcos em setembro, quando haverá novamente espaço na agenda do teatro.

"Além da dor e do trauma tenho que lidar com o prejuízo de ter o espetáculo adiado depois de tanto esforço para pagar o aluguel do teatro. Sem falar que fiquei sem meu celular e minha carteira, não sei se fui roubado ou se deixei cair."

A Polícia Civil informou que as investigações já começaram, mas que ainda não tem suspeitos do ataque. A instituição não informou quantos casos semelhantes ocorreram neste ano e enquadrou a queixa como lesão corporal.

A casa noturna 1007 se manifestou informando que "luta contra os preconceitos e fará mudanças internas na tentativa de coibir violências".

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