"Não sei se voltarei a estudar", diz aluna que seguia atrás de ônibus que capotou

Fernando Cymbaluk

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Gicelma Vale Silva (de óculos), estudante do curso de direito da Universidade Braz Cubas

    Gicelma Vale Silva (de óculos), estudante do curso de direito da Universidade Braz Cubas

Gicelma Vale Silva, estudante do curso de direito da Universidade Braz Cubas, estava no segundo ônibus que seguia atrás do veículo que capotou na rodovia Mogi-Bertioga, em acidente que deixou 18 mortos na noite de quarta-feira (8). Quatro ônibus desciam em comboio levando estudantes de três unidades de ensino de Mogi das Cruzes (SP) para bairros de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Amiga de uma das vítimas, ela diz que não sabe se conseguirá voltar a estudar.

"Na hora a gente parou um pouco mais abaixo do local do acidente. Foi quando eu me deparei com aquela cena horrorosa, só ouvia gente gritando e pedindo socorro", relata a estudante. O coletivo acidentado bateu em um rochedo na pista contrária, capotou e caiu em um barranco. O motorista do veículo está entre as vítimas. A polícia investiga as causas do acidente.

Gicelma conta que os passageiros dos outros ônibus só seguiram viagem após a chegada de carros do Corpo de Bombeiros para resgatar as vítimas. "No momento, eu não consegui assimilar quem estava no ônibus. Foi quando cheguei em casa que comecei a lembrar, vi que conhecia muita gente. Vai ser difícil voltar a passar todos os dias naquele local. Quando passar ali, vou rever tudo de novo", diz.

A Universidade Braz Cubas decretou luto, e as aulas não estão ocorrendo. A estudante conta que estava em estado de choque desde o dia do acidente e que conseguiu dormir apenas na noite de quinta-feira (10). Ela pensa que poderá precisar de auxílio de psicólogos para retomar o curso de direito, no qual estava no segundo período.

Amigo disse que viajaria em outro ônibus

Gicelma era amiga de Lucas Inácio Alves Pereira, aluno de comunicação social, que está entre as vítimas do acidente. Segundo a estudante, Lucas chegou a ser chamado por conhecidos para trocar de veículo no dia do acidente.

"Ele às vezes ia no nosso ônibus, era muito querido pelos colegas. Chegaram a mandar mensagem para ele, mas ele não respondeu", conta. As linhas de ônibus saem de locais diferente rumo a Mogi das Cruzes, cada uma sempre com o mesmo motorista, diz a estudante. A linha 12, do veículo que capotou, parte de São Sebastião. Já a linha 6A, utilizada por Gicelma, sai de Maresias. Ela é moradora de Boraceia. Lucas morava em Barra do Una, bairro vizinho.

A estudante conta que Lucas queixava-se do motorista de sua linha por ele "correr muito". Segundo ela, não chovia e não havia neblina na pista no momento do acidente, apesar da forte neblina ter sido vista no centro de Mogi das Cruzes. "O motorista do meu ônibus é muito prudente, não estava correndo", afirma.

A União do Litoral, proprietária do ônibus que tombou, informou que o tacógrafo do veículo registrou 41 km/h no momento do acidente e que a máxima permitida na rodovia é de 60 km/h.

Além de Lucas, Gicelma conhecia outras oito vítimas que moravam em Barra do Una. "Eram pessoas que eu sempre encontrava na rua. Vamos sentir muita falta de todos eles, vai ser difícil... com cada um deles foi enterrado um pedacinho meu."

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