PMs suspeitos de participação em chacinas são presos no Rio Grande do Norte

Aliny Gama

Colaboração para o UOL. em Maceió

  • Marcelino Neto/Divulgação

    Operação conjunta da Força Nacional e da polícia potiguar prendeu em Mossoró cinco PMs acusados de participar de chacinas

    Operação conjunta da Força Nacional e da polícia potiguar prendeu em Mossoró cinco PMs acusados de participar de chacinas

Cinco policiais militares presos em Mossoró (RN) nesta quarta-feira (22), são suspeitos de participarem de chacina ocorrida em agosto de 2015, em Tibau, região oeste do Rio Grande do Norte. Segundo a polícia, investigações sobre a frequência de homicídios em Mossoró e cidades da região apontaram indícios da participação dos acusados em pelo menos 14 assassinatos. Os nomes dos acusados ainda não foram divulgados.

O grupo era investigado por equipe da Força Nacional desde setembro de 2015. De acordo com a polícia, as investigações apontam que os PMs presos agiam como justiceiros, assassinando pessoas envolvidas em crimes. No entanto, entre as vítimas também havia gente sem passagem pela polícia.

Os militares foram presos em uma operação da Força Nacional de Segurança Pública e Polícia Civil do Rio Grande do Norte. Inicialmente, a Sesed (Secretaria de Estado da Defesa Social e da Segurança Pública) havia divulgado a prisão de seis policiais, mas o número foi corrigido nesta tarde pelo delegado-geral da Polícia Civil, Stênio Pimentel. Foram presos temporariamente cinco policiais militares e uma sexta pessoa que não é agente de segurança público.

"Quando a Força Nacional chegou à Mossoró, em setembro de 2015, nossas investigações apontaram 14 homicídios e três tentativas de homicídios, que eram alvo de nove inquéritos policiais, com fortes indícios de que poderiam ter sido praticados por PMs. Buscamos dados que comprovassem tal suspeita e verificamos que alguns policiais realmente eram suspeitos pelos homicídios. Diante da descoberta, a Força solicitou às varas criminais de Natal a expedição dos mandados judiciais", disse o delegado da Força nacional, Marcus Vinicius Fraile.

O delegado-geral da Polícia Civil, Stênio Pimentel, disse que a "participação individualizada de cada acusado ainda não foi informada pela equipe de investigação. A prisão temporária tem a finalidade de manter resguardados os acusados para coletar novas provas e proteger os indivíduos".

O comandante geral da PM, coronel Dancleiton Pereira Leite, afirmou que os cinco policiais estão presos por 30 dias para que as investigações continuem sem interferências e para preservar provas.

Com os suspeitos foram apreendidos armamento, munição e dinheiro, em quantias não informadas. Os militares foram transferidos para Natal, pois Mossoró não possui presídio militar. Eles ficarão detidos no presídio militar de Natal, localizado dentro do Bope (Batalhão de Operações Especiais), no bairro de Panatis.

Chacinas

As mortes em Tibau e Serra Caiada ocorreram no dia 12 de agosto de 2015. A primeira série de assassinatos ocorreu em Serra Caiada. Por volta das 20h, homens armados e não identificados ordenaram que quatro pessoas que estavam sentadas em cadeiras conversando na calçada de uma casa ficassem de costas e colocassem as mãos nas paredes. Três deles foram atingidos pelos tiros. O quarto rapaz, que não teve o nome divulgado, conseguiu entrar dentro da casa, se escondeu e não foi atingido pelos tiros. Durante o crime, um casal que estava na calçada vizinha foi baleado, mas não morreu.

Em Tibau, a chacina ocorreu por volta das 22h. Três pessoas de uma mesma família e um vizinho foram mortos a tiros enquanto conversaram na calçada de uma casa rua Erivaldo Clementino de Souza. Uma mulher e duas crianças, que estavam na calçada, conseguiram se esconder dentro de casa e não foram atingidas pelos tiros.

Em Itajá, cinco mulheres que estavam num prostíbulo foram assassinadas a tiros na cabeça, no dia 16 de julho. Segundo a polícia, o crime aconteceu por volta da 1h, quando pelo menos quatro homens armados chegaram de carro, invadiram o local e atiraram contra as mulheres. Os disparos foram feitos diretamente na cabeça das mulheres e os assassinos usaram armas de cano longo e de cano curto.
                                    
 

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