Índios fazem funcionários estaduais reféns no interior do Maranhão

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

Três técnicos da Seduc (Secretaria de Estado da Educação) do Maranhão foram feitos reféns por índios timbiras na aldeia Sibirino, no município de Itaipava do Grajaú, no interior do Estado. A equipe estava entregando alimentação escolar indígena quando lideranças informaram, nanoite de quarta-feira (6), que os técnicos não poderiam sair da aldeia. Esta é a terceira vez este ano que técnicos da secretaria são feitos reféns e impedidos de desenvolverem suas atividades em aldeias indígenas no Maranhão.

Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário)l, os índios alegam precariedade no ensino e na estrutura das escolas e, como não tiveram reivindicações atendidas pelo Estado, não pretendem liberar os reféns. Não há informações sobre o estado de saúde dos funcionários.

Os índios reclamam, de acordo com o Cimi, que as escolas estão funcionando em condições precárias, sem carteiras escolares e sem a quantidade suficiente de professores, como também a falta de docentes bilíngues para que os estudantes indígenas tenham acesso à língua nativa durante as aulas. Eles pedem ainda a construção de escolas e estradas para melhorar o transporte dos estudantes.

A Seduc informou nesta sexta-feira (8) que tentou negociar a libertação da equipe, mas repassou as negociações para a Polícia Federal. O Ministério Público Federal e a Funai (Fundação Nacional do Índio) foram notificados nesta sexta-feira.

A equipe refém é formada por uma servidora da Seduc, motorista e um auxiliar, que foram contratados para realizar a entrega da alimentação escolar indígena na aldeia. Desde o último domingo (3), 29 equipes técnicas foram deslocadas para áreas indígenas em 19 municípios para entregar comida em 283 escolas indígenas.

Na quarta-feira (6), outra equipe foi ameaçada de ser retida em Itaipava do Grajaú e os serviços no local foram suspensos.  

Há 15 dias, outra equipe da Seduc foi feita refém na mesma aldeia enquanto realizava levantamento nas aldeias do número de alunos que necessitavam de transporte escolar indígena. Segundo a secretaria, o levantamento estava ocorrendo porque existia inconsistência entre o número de alunos informados pelas lideranças e o Censo Escolar.

As cestas de alimentação escolar que estavam sendo distribuídas são compostas de carne, frutas e legumes. A secretaria informou ainda que a suspensão da entrega ocasionará a perda de alimentos, além de prejuízos aos cofres públicos. O Estado informa que investiu cerca de R$ 1,1 milhão na compra dos alimentos.

Em nota oficial, o governo estadual informou que "mantém diálogo permanente com as lideranças indígenas desde o início da gestão do governador Flávio Dino (PCdoB) para"assegurar os direitos e atender reivindicações antigas que deixaram de ser cumpridas por gestões anteriores".

"Entre as medidas concretas já em andamento em todos os níveis de ensino estão a implantação do Curso de Licenciatura Intercultural para a Educação Básica Indígena, com objetivo de formar e habilitar professores indígenas para atender às escolas de ensino médio e também de ensino fundamental que, embora sejam de competência legal dos municípios, ainda estão sob a gestão do Governo Maranhão; criação de um comitê intersetorial no âmbito do Estado para discutir e encaminhar melhorias", diz a nota.

Além disso, a Seduc afirmou que oito escolas foram reformadas. "As unidades escolares vão receber 12 mil kits pedagógicos e de materiais pelo PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola) do Ministério da Educação, kits de limpeza e de cozinha, além de material permanente", diz a nota da secretaria.
 

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