Abin é alvo de críticas no Facebook após post sobre suspeitos de terrorismo

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook Abin

    Em post no Facebook, Abin descreve perfil de suspeitos de terrorismo

    Em post no Facebook, Abin descreve perfil de suspeitos de terrorismo

A menos de um mês dos Jogos Olímpicos do Rio e com a preocupação da eventual ação de terroristas no evento, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) publicou um post em sua página no Facebook para ensinar à população como identificar possíveis suspeitos de atos extremistas. Mas a iniciativa não deu muito certo.

Na publicação, feita na sexta-feira passada (8), a Abin descreve pessoas suspeitas como aquelas que "utilizam roupas, mochilas e bolsas destoantes das circunstâncias e do clima" e "agem de forma estranha e demonstram intenso nervosismo". Também pedia a colaboração popular. Não demorou para que internautas começassem a criticar e ironizar o tom adotado pela agência.

Em nota, a Abin explicou que "o trabalho de prevenção é dificultado por não haver descrição, perfil ou comportamento que possa, de forma simples, direta e inequívoca, identificar um terrorista. No entanto, a combinação de pequenos indícios pode ser evidência de comportamento associado à intenção de prática terrorista".

"Isso é sério?", perguntou Sandro Souza, ao compartilhar a imagem. "Acabei de descobrir que sou terrorista. Vou ali na padaria me explodir e já volto", brincou o internauta Ariel Luiz. Já o comentário de João Marcelo Metz ganhou mais de 1.500 curtidas: "Cuidado ao ver um homem vestindo paletó e se dirigindo ao Congresso Nacional, muitos parecem trabalhadores, mas não se engane com suas bolsas destoantes e intenso nervosismo".

Também nos comentários, Márcia Andrade criticou a Abin: "Agência Brasileira de Inteligência descrevendo a aparência de terrorista me faz imaginar que espécie de profissionais de Inteligência eles formam. Céus, que ingenuidade! Um terrorista que se preza tem a aparência que ele quiser, OK?".

Em abril, a Abin confirmou a existência de uma ameaça terrorista ao Brasil. Em junho, o UOL noticiou que a agência monitorava um grupo em português criado pelo Estado Islâmico no aplicativo Telegram.

Outro lado

Leia a íntegra da nota da Abin.

"A ABIN esclarece, em relação à sua página oficial no Facebook, que tem realizado publicações para a sensibilização da sociedade sobre situações potencialmente suspeitas de terrorismo. A primeira postagem foi realizada no último dia 29 de junho, em razão de lançamento de campanha do Ministério da Defesa, que resulta do trabalho conjunto dos três eixos de segurança dos Jogos Olímpicos – Inteligência, Segurança Pública e Defesa.
 
A iniciativa visa a orientar, de forma contínua, todas as camadas da sociedade para que a população sinta-se encorajada a contribuir com os órgãos de segurança na prevenção de ações terroristas.
 
O trabalho de prevenção é dificultado por não haver descrição, perfil ou comportamento que possa, de forma simples, direta e inequívoca, identificar um terrorista. No entanto, a combinação de pequenos indícios pode ser evidência de comportamento associado à intenção de prática terrorista.
 
É o caso das orientações divulgadas na segunda publicação da série. O uso de roupas inadequadas ao clima ou o nervosismo extremo de um cidadão não consistem, isoladamente, em motivo para suspeita. No entanto, combinados com outros elementos aparentemente insignificantes e não merecedores de atenção, podem, de fato, representar alerta para as forças de segurança. São exemplos a realização de fotografias dos sistemas de segurança de locais públicos; a presença de odores fortes de substâncias estranhas; a tentativa de ingresso em locais restritos a pessoal de segurança; entre outros.
 
É desejável que a população brasileira perceba a importância da sua proximidade com as áreas de inteligência e com órgãos de segurança para que se fortaleça, no País, a "cultura de segurança". A comunicação oportuna de situação suspeita pode ser decisiva na detecção antecipada de ação terrorista.
 
Cabe às forças e aos profissionais de segurança local avaliarem, a partir das informações repassadas pela população, se há motivo para alerta e adoção de medidas preventivas. As forças de segurança vêm recebendo capacitação dos três eixos encarregados da segurança da Rio 2016 para atuarem em situações do gênero."

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