Detentos fabricam casas para cães de rua sobreviverem ao frio em cidade gaúcha

Lucas Azevedo

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/ONG Amigos da Rua

    Filhotes abandonados recolhidos por integrantes da ONG Amigos da Rua, em São Francisco de Paula (RS)

    Filhotes abandonados recolhidos por integrantes da ONG Amigos da Rua, em São Francisco de Paula (RS)

Uma "força-tarefa" para abrigar cães de rua no rigoroso inverno gaúcho. A iniciativa está ocorrendo na cidade São Francisco de Paula, cidade de 21,5 mil habitantes a 112 quilômetros de Porto Alegre, na serra do Rio Grande do Sul. Cachorros abandonados e sem lar receberão casinhas para se abrigarem do frio. O município registra temperaturas muito baixas - nevou na madrugada do último domingo (17), com os termômetros marcando -2ºC. As casinhas estão sendo fabricadas por detentos do presídio da cidade a partir de doações de materiais que são feitas a uma ONG protetora de animais.

O projeto Casa para Todos é uma parceria entre o Presídio de São Francisco de Paula e a ONG Amigos de Rua, e tem como objetivo construir casas para animais sem donos e abandonados. Os presos que participam da iniciativa cumprem pena no regime fechado e estão ligados à atividade laboral de artesanato.

No último dia 17 nevou em São Francisco de Paula. Naquela madrugada, cerca de 25 animais estavam desabrigados pela região central da cidade, segundo levantamento da Amigos de Rua.

Preocupada com a situação desses animais, os dirigentes da ONG tiveram a ideia de unir sua necessidade às da psicóloga da Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários do RS), Rita Maganini. Os primeiros buscavam apoio para a construção das casinhas, enquanto a segunda, ampliar as atividades dos detentos do presídio da cidade.

"A parceria surgiu em contato informal com a Rita. Nós precisávamos de alguém que confeccionasse as casas. Ao mesmo tempo, os apenados necessitavam de ocupação. A psicóloga, então, levou essa demanda ao diretor do presídio, que aceitou. Então fechamos a parceria. A ONG entra com os materiais e a Susepe com a mão de obra", conta a diretora da Amigos de Rua, Giovana Ghidini.

 

Divulgação/ONG Amigos da Rua
Casa de cachorro fabricada por detentos do presídio de São Francisco de Paula (RS)
Condições de trabalho

A atividade tem total apoio da direção da casa prisional, que disponibiliza a força de trabalho e maquinário de manutenção usado para a carpintaria. Do outro lado, a ONG fornece os materiais usados na construção, especialmente madeira e pregos, tudo produto de doação.

"Estamos pedindo através das redes sociais e madeireiras e lojas de materiais de construção. E estamos tendo uma boa receptividade", diz Giovana.

A psicóloga Rita Maganini também está entusiasmada com o projeto. "Percebemos uma grande motivação por parte dos envolvidos, que se percebem novamente úteis e valorizados enquanto pessoas. Há um impacto direto, ainda, na possibilidade de reinserção social, principal objetivo da execução penal, já que o trabalho constitui a principal forma de reintegração."

No momento, são 18 detentos envolvidos no Casa para Todos, que tem a coordenação de um dos presos nas oficinas. Suas atividades são acompanhadas por duas psicólogas e uma dois representantes da ONG. A cada três dias trabalhados, a pena é reduzida em um dia.

"O projeto beneficia diretamente os envolvidos ao proporcionar a realização de uma atividade laboral de finalidade social, proporcionando uma percepção de utilidade e de retorno positivo a sociedade. O acesso ao trabalho, certamente, é uma das principais formas de reinserção social", diz Rita.

Distribuição

A primeira etapa do trabalho contempla a fabricação de três casas maiores para a sede da ONG, que poderão acolher dois cães cada. A segunda fase pretende distribuir casinhas em ambientes públicos da cidade, o que deve ocorrer até o fim deste mês.

Por último, a Amigos de Rua tem a intenção de comercialização de produtos com preços mais baixos que o do mercado, cuja renda deve ser destinada à ONG e aos presos. Essa etapa, entretanto, ainda aguarda autorização da Susepe e apoio de parcerias privadas. "É a parte mais difícil, já que o contrato de trabalho prisional exige pagamento de pelo menos 75% do salário mínimo aos presos ligados ao projeto", afirma Rita Maganini.

A Susepe negou autorização para que a reportagem do UOL entrevistasse detentos envolvidos no projeto. Interessados em ajudar a ONG Amigos de Rua, de São Francisco de Paula, podem entrar em contato pelo e-mail amigosderuaong@gmail.com.

Divulgação/Susepe
Detentos fabricam casas de cachorro na oficina do presídio de São Francisco de Paula (RS)

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