Mulher diz ter sido assediada por funcionário da NET em SP: "estou morrendo de medo"

Guilherme Azevedo

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Facebook

    A fotojornalista Juliana Barros

    A fotojornalista Juliana Barros

A fotojornalista Juliana Barros, 35, formalizou nesta terça-feira (26), no 4º Distrito Policial (Consolação), em São Paulo, denúncia de assédio sexual contra um funcionário que prestava serviço em nome da empresa de telecomunicações NET. Por meio de nota divulgada nesta terça, a empresa informou que está ciente do caso e tomará providências.

Juliana, que é natural de Santos, litoral sul de São Paulo, e vive sozinha na capital paulista, afirmou ao UOL que tinha contratado os serviços de internet e TV por assinatura da NET para o seu novo apartamento, para o qual o mudou faz um mês.

Na visita, realizada, segundo Juliana, no dia 27 de junho, com duração de 30 minutos, o funcionário não teria conseguido concluir a instalação devido à falta de um adaptador para o televisor Samsumg. O homem, que estaria na casa dos 40 anos de idade, teria deixado seu número de telefone celular para o caso de Juliana não encontrar o adaptador.

Juliana disse que procurou pela peça por uma semana, mas não a encontrou. E escreveu pelo WhatsApp para o profissional pedindo ajuda. Ele se comprometeu a levar o adaptador e a teria chamado então de "gata".

Juliana disse ter estranhado a forma de tratamento utilizada por ele e, quando o homem chegou a sua casa, por volta das 20h, não permitiu que subisse. Ela mesma foi buscar a peça na guarita do edifício.

As mensagens enviadas pelo homem depois dessa noite foram se intensificando no conteúdo pornográfico, segundo a fotojornalista, que diz nunca ter respondido a nenhuma delas. Juliana aponta 2 de julho como o dia de início das mensagens pornográficas. Elas teriam se sucedido até a madrugada de 22 de julho.

A fotojornalista publicou na segunda-feira (25) reproduções dessas mensagens, em sua página pessoal no Facebook.

Ela conta que não sabia o que fazer para se proteger, se denunciaria o homem ou não, porque sentia muito medo de que acontecesse alguma coisa mais grave com ela. "Eu ainda estou morrendo de medo. O homem falou que é maloqueiro. Fiquei com medo de levar isso para a frente, vai que ele é um psicopata", desabafa.

Depois de ter denunciado o profissional na delegacia, Juliana se disse "aliviada", mas se sentindo "muito violentada", como se o ato tivesse sido consumado de verdade. Em segurança, ela diz ter certeza de que não está: "Agora, o homem vai ser mandado embora e vai sair por aí bravo. O que pode acontecer comigo?".

Ela cita que fez uma busca na internet por casos semelhantes ao seu e diz que, para sua surpresa, encontrou diversas denúncias recentes, de 2014 e 2015, de mulheres vítimas de assédio sexual nas mesmas circunstâncias: "Como a NET não tomou uma providência?", diz, com indignação. "É revoltante, é uma invasão, não foi na rua, foi dentro de casa. É um negócio que está acontecendo há anos. Estou com vergonha de ser cliente de uma empresa assim."

Juliana diz que a família está muito preocupada com ela, porque mora longe, em Santos. E que ela mesma mudou seu hábito em relação a serviços de fornecedores: "Não recebo mais ninguém em casa sozinha. Faço esse alerta para todas as mulheres". A fotojornalista conta que a NET entrou em contato com ela nesta terça-feira, mas foi orientada a procurar a advogada que a representa no caso.

Outro lado

Leia a íntegra da nota da NET: "A NET informa que tomará todas as medidas cabíveis para apurar, identificar e afastar sumariamente qualquer funcionário ou prestador de serviço que aja em desacordo com o código de ética da empresa. A empresa disponibiliza canal exclusivo para comunicação de eventos que envolvam atitude inadequada por parte de seus colaboradores, através do e-mail conduta.net@net.com.br. Todos os casos reportados são rigorosamente apurados".

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