Violência no Rio

Crimes com mortes violentas e roubos de rua crescem no Rio no 1º semestre

Do UOL, no Rio

  • Felipe Dana/AP

    Policial corre para se esconder durante troca de tiros com traficantes no complexo de favelas do Alemão, no Rio

    Policial corre para se esconder durante troca de tiros com traficantes no complexo de favelas do Alemão, no Rio

A violência cresceu no Estado do Rio de Janeiro em 2016. Dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Instituto de Segurança Pública, referentes ao último mês de junho, apontam elevação dos principais indicadores criminais no primeiro semestre deste ano.

No primeiro semestre deste ano, o número de crimes com mortes violentas --homicídios dolosos, latrocínios (roubos seguidos de morte), homicídios cometidos por policiais em serviço e lesão seguida de morte-- subiu 17,5% na comparação com os seis primeiros meses de 2015. O salto foi de 2.553 casos registrados no período, em 2015, para 3.001 em 2016.

A quantidade de roubos de rua --a pedestres, em ônibus e de celular-- cresceu 34,1% no primeiro semestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 15 mil casos a mais registrados nas delegacias do Estado de janeiro a junho de 2016. O número de roubos de veículos também teve aumento significativo, de 25,7% --15.624 contra 19.642.

Quando se compara apenas o mês de junho de 2016 com o mesmo mês do ano passado, as diferenças são ainda maiores. O número de roubos de rua cresceu 81,2%, e o de mortes decorrentes de intervenções policiais, 68,2% (44, em 2015, e 74, em 2016). Neste ano, foram registradas 376 vítimas de homicídio doloso no Estado, um aumento de 104 vítimas (+38,2%).

Apenas na cidade do Rio, que em uma semana receberá os Jogos Olímpicos, os principais índices também tiveram aumento no primeiro semestre, com destaque para os casos de latrocínio, que cresceram 76% - foram 25 em 2016, e 44 em 2016. O total de roubos cresceu 17,2% e o de homicídios dolosos, 5,9%.

Crise acentua a violência

Para a professora de sociologia da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a crise econômica que atingiu o Rio tem reflexos sociais. "O projeto de segurança pública está entrando em colapso", diz a pesquisadora. "A gente sabe que teve corte de pagamento de hora extra para a Polícia Civil e até dinheiro para gasolina nos carros da PM faltou no começo do ano", completou.

Especialista em segurança pública, o professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio) Michel Misse, lembra que houve uma queda constante nos últimos anos em todas os indicadores de crimes violentos. "Em um primeiro momento, é preocupante, claro, mas é possível que o aumento seja sazonal. Nós só vamos poder saber se houve uma virada de tendência mesmo depois de dois ou três anos", declarou.

Ele argumenta, no entanto, que há indicadores de a situação deve piorar: "os problemas que vêm ocorrendo com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), a crise fiscal do Estado, que atinge salários, investimentos, todos os fatores que estão envolvimentos com a segurança pública. É uma prospectiva que faz sentido, mas temos que esperar."

Segurança reforçada para as Olimpíadas

REUTERS/Ricardo Moraes
As Forças Armadas começaram a patrulhar as ruas do Rio no domingo (24)

No último domingo (24), teve início no Rio a operação de segurança e defesa dos Jogos Olímpicos. Mais de 85 mil pessoas estão envolvidas na ação, que reúne esforços da Polícia Militar, Polícia Federal, Força Nacional de Segurança e Forças Armadas e outras corporações.

Militares do Exército e Marinha fazem vigilância de "avenidas-chave" da Olimpíada enquanto a Força Nacional cercará arenas e outras instalações esportivas.

Por conta dos recentes ataques terroristas na Europa e os altos índices de criminalidade no Rio, a segurança é uma das maiores preocupações dos organizadores da Olimpíada. O governo, porém, garante que a Rio-2016 será um evento seguro.

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