Desmoronamento de terra engole 16 veículos no rio Madeira, em Porto Velho

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Corpo de Bombeiros/RO

    Desmoronamento de área de estacionamento engole caminhões na beira do rio Madeira, em Porto Velho (RO)

    Desmoronamento de área de estacionamento engole caminhões na beira do rio Madeira, em Porto Velho (RO)

Um desmoronamento de terra às margens do rio Madeira, em Porto Velho (RO), engoliu 12 carretas, uma caminhonete e três motos, na tarde do último sábado (13). Segundo o Corpo de Bombeiros de Rondônia, não houve vítimas no acidente - no momento do desmoronamento, os veículos estavam estacionados sem motoristas ou passageiros.

Nesta segunda-feira (15), houve um novo desmoronamento na área do acidente durante vistoria da Defesa Civil Municipal, também sem vítimas. Os veículos continuam no local, pois há riscos de novos desmoronamentos de terra. Dois deles tiveram vazamento de carga.

Os veículos estavam em uma área da Marinha que é explorada pela empresa Emam Asfaltos, com sede em Manaus. Na área existe um pequeno porto de carga e descarga de veículos que transportam produtos da Emam Asfaltos vem do Amazonas para Rondônia.

A Defesa Civil Municipal determinou que a empresa apresente imediatamente um plano de retirada dos veículos do local para ser  executado até a próxima sexta-feira (19). O coordenador da Defesa Civil Municipal, Marcelo Santos, disse que a retirada deve ser feita por uma empresa especializada, pois ainda há riscos de novos acidentes na área.

"Estamos monitorando o local ininterruptamente, pois há risco de novos desmoronamentos. A empresa foi notificada e deve apresentar esse plano para retirar até sexta todos os veículos", informou Santos.

Vazamento de carga

As carretas estavam carregadas de material asfáltico que seria usado na construção de estradas. Segundo a Defesa Civil Estadual, houve vazamento da carga de duas carretas e o material chegou a atingir o rio no sábado. Entretanto, o material foi contido em terra para não atingir a água enquanto os veículos não são retirados. A quantidade do vazamento não foi informada, porém a Defesa Civil Estadual informou que não houve poluição do rio.

Há suspeita que o excesso de peso no terreno ocasionou o acidente. De acordo com a Defesa Civil Municipal, a área é composta de camada de argila e sedimentos do rio, mas a empresa exploradora do local teria colocado cascalho na parte superior do solo para expansão do local. "O peso dos caminhões mais o peso da própria terra e do cascalho que foram colocados no aterro podem ter contribuído para a argila da camada inferior ter se movimentando", disse Santos.

O coordenador da Defesa Civil Estadual, capitão Artur Luiz Santos Souza, afirmou que a área que desmoronou não deveria estar sendo usada para passagem de veículos de carga, pois os rios da região da floresta Amazônica sofrem de um fenômeno chamado de "terras caídas", que mudam de margens a cada ano, de acordo com as inundações.  Ele explicou que somente a perícia vai determinar a causa exata do desmoronamento de terra.

Corpo de Bombeiros/RO

"O solo é pouco agregado e não serve para atividade, pois é de reposição de sedimentos da cheia de 2014 ocorrida no rio Madeira. É uma área de terra nova e existe uma dinâmica dessas margens do rio Madeira, que mudam todos os anos com as cheias e há quedas de barrancos. Mas, mesmo assim, o excesso de veículos pode ter contribuído para o desmoronamento. A perícia vai determinar as causas do acidente", explicou Souza.

Segundo a Defesa Civil Estadual, a ocupação funciona de forma precária, mas a empresa obteve autorização da Marinha para funcionar. "Constatamos também que há exploração irregular de um estaleiro de dragas de garimpo dentro do rio Madeira e isso também pode ter contribuído para o desmoronamento", disse Souza.

Seis bairros sem água

A adutora da ETA (Estação de Tratamento de Água) 1 da Caerd (Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia), que estava instalada na área atingida pelo desmoronamento, foi danificada. Pelo menos seis bairros de Porto Velho estão sem água por tempo indeterminado.

A Caerd informou que enviou uma equipe técnica ao local para avaliar os danos e traçar um planejamento para recuperação da adutora, mas o trabalho ainda não foi concluído. A companhia informou ainda que ainda não poderá precisar a data de conclusão dos trabalhos de recuperação da adutora e o restabelecimento do sistema de abastecimento.

O UOL entrou em contato com a Emam Asfaltos, em Manaus, e a administração da empresa informou que não irá comentar sobre o assunto. A reportagem tentou contato com a filial da empresa em Porto Velho, na tarde desta segunda-feira (15), mas ninguém atendeu as ligações.

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