Professor é multado no Rio durante Olimpíadas que assistiu em Curitiba

Rafael Moro Martins

Colaboração para o UOL, de Curitiba

  • Arquivo pessoal

    O professor universitário Zanei Barcellos, 57, teve uma surpresa ao receber uma multa do Rio no dia que assistia as Olimpíadas em sua casa em Curitiba

    O professor universitário Zanei Barcellos, 57, teve uma surpresa ao receber uma multa do Rio no dia que assistia as Olimpíadas em sua casa em Curitiba

Sem ter ido ao Rio de Janeiro para assistir qualquer dos eventos da Olimpíada, em agosto passado, o professor universitário Zanei Barcellos, 57, ficou surpreso ao receber, há alguns dias, uma notificação de infração de trânsito cometida numa avenida na Barra da Tijuca em 21 de agosto. Foi o dia da cerimônia de encerramento dos jogos, realizada no Maracanã --que Barcellos garante ter assistido do sofá de casa, na vizinhança de outro estádio --o Couto Pereira, em Curitiba.

"Não fui ao Rio ver a Olimpíada, nem emprestei meu carro a ninguém. Se eu tivesse sido multado estando lá, tudo bem, faz parte da vida. Mas não teria como ir, era período de aulas na faculdade", afirma o professor.

A avenida Embaixador Abelardo Bueno, local da notificação, dá acesso ao Centro Olímpico, onde boa parte das provas foi disputada. Barcellos diz não conhecer o endereço. "Nem sei onde é. A notificação de infração, pelo correio, não tem foto do carro ou da placa, apenas os dados. Creio que foi aplicada por um agente de trânsito. Fico na dúvida se minha placa foi clonada ou se ele se enganou ao escrever", diz Barcellos.

Com a notificação em mãos, ele começou um périplo para descobrir como recorrer da multa. "Liguei para o 190 para saber o que fazer. Me recomendaram ir à delegacia mais próxima fazer um boletim de ocorrência. Ao chegar [à delegacia do Boa Vista, bairro da zona norte de Curitiba], disseram que não poderia fazer o registro lá. Me indicaram a delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, do outro lado da cidade [na Vila Izabel, zona sul]."

Barcellos acabou indo a outra delegacia, esta no centro de Curitiba, onde finalmente fez o boletim de ocorrência. Antes de conseguir registrar o recurso, outro problema --o site de atendimento da prefeitura do Rio não confirmou o recebimento dos documentos necessários. A coisa só deu certo após um bom número de tentativas, conta o professor.

Por fim, o sistema da prefeitura carioca acusou que a papelada foi acolhida, e entregou a Barcellos um número de protocolo. Ele também enviou tudo pelo correio. A defesa, por ora, é o que o professor diz ter sido possível fazer --uma declaração de que estava em Curitiba na data em que foi lavrada a multa.

"Espero que acreditem em mim. Do contrário, o porteiro do prédio pode testemunhar que eu estava aqui, bem como uma amiga com quem me encontrei no dia. Também posso pedir as imagens do circuito de segurança do prédio em que moro. Mas espero que acatem a minha palavra." Apesar disso, Barcellos tem dúvidas. "O estado é ágil na hora de multar. Mas, para julgar o recurso do cidadão, não é bem assim. Quero ver o que me aguarda", resignou-se.

Procurada, a Secretaria Municipal de Transportes do Rio informou que "não há foto do veículo na notificação porque não há previsão legal de registro fotográfico da infração". Com relação ao recurso, "é preciso aguardar o julgamento da Jari - que ainda não ocorreu. Vale ressaltar que todos os documentos apresentados pelo cidadão são levados em consideração no recurso."

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