Alunos decidem desocupar escola no centro de SP após negociação com a PM

Do UOL, em São Paulo

  • Cris Faga/Fox Press Photo/Estadão Conteúdo

    Estudantes ocuparam colégio em SP contra reforma do Ensino Médio

    Estudantes ocuparam colégio em SP contra reforma do Ensino Médio

Após negociação envolvendo a Polícia Militar, a Escola Estadual Caetano de Campos, próximo à praça Roosevelt, no centro da capital paulista, começou a ser desocupada por volta das 19h30 deste sábado (8), segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. 

Os estudantes entraram na escola por volta das 23h30 de sexta-feira, em protesto contra a reforma do Ensino Médio, proposta pelo governo federal. Segundo a PM, participaram cerca de 40 estudantes. 

De acordo com o coronel Gasparian, da 2ª Companhia do 7º Batalhão da PM, a polícia e a diretora da escola estiveram em conversa com os alunos para negociar a saída do prédio. O coronel da PM afirmou que os estudantes tentaram negociar outra data para a desocupação, mas o pedido não foi aceito.

Os estudantes deixaram a escola após cerca de 30 minutos de conversa com a PM, a diretora da escola e uma representante do Conselho Tutelar. Saíram com punhos erguidos, enquanto gritavam "não tem arrego".

A ação policial foi conduzida pela Força Tática do comando da região, diz a SSP. Segundo a secretaria, não houve registro de conflitos.

Estudantes: 'sem opção'

Estudantes, que não quiseram se identificar, disseram que a polícia não deixou alternativas a eles. "As opções da negociação eram que saíssemos voluntariamente ou então, à força", disse um estudante.

Os estudantes decidiram desocupar o local para evitar confronto, informou a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) em sua página no Twitter.

Mais cedo, a Ubes divulgou na mesma página um vídeo e afirmou que "estudantes da ocupação resistem à Tropa de Choque". 

De acordo com a secretaria, a PM atendeu a um pedido de reintegração de posse feito pela Secretaria Estadual de Educação com base em um parecer da Procuradoria-Geral do Estado, segundo o qual o governo estadual pode retomar imóveis públicos sem necessidade de autorização da Justiça

Escolas ocupadas no interior de SP e no Paraná

Segundo informações divulgadas pela Ubes, mais de 60 escolas estão ocupadas por alunos no país --a maioria no Paraná.

No Estado de São Paulo, além da escola na Consolação, também foi ocupada a Escola Estadual Professora Ossis Salvestrini Mendes, em Sorocaba (SP), desde a noite de quinta-feira (6).

MP do ensino médio

Para a Ubes, a medida provisória, que prevê mudanças no ensino médio, é um retrocesso em por isso, tem provocado mobilizações estudantis no país.

A medida provisória torna obrigatórias para os três anos do ensino médio apenas as disciplinas de português e matemática. Inglês também será obrigatório, mas não necessariamente para os três anos. Os demais conteúdos serão determinados pela Base Nacional Comum Curricular, que ainda está sendo definida.

Pela MP, cerca de 1.200 horas, metade do tempo total do ensino médio, serão destinadas ao conteúdo obrigatório definido pela Base Nacional. No restante da formação, os alunos poderão escolher entre cinco trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas --modelo usado também na divisão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)-- e formação técnica e profissional.

A medida também amplia gradualmente a carga horária do ensino médio para 7h por dia ou 1.400 horas por ano.

As mudanças só devem começar a valer a partir de 2018 --de acordo com o texto, no segundo ano letivo subsequente à data de publicação da Base Curricular, mas pode ser antecipado para o primeiro ano, desde que com antecedência mínima de 180 dias entre a publicação da Base e o início do ano letivo.

O texto, que modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996), prevê o fim da obrigatoriedade do ensino de arte e de educação física no ensino médio. As disciplinas serão obrigatórias apenas no ensino infantil e fundamental.

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, no último dia 4, a secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães, disse que não houve exclusão de disciplinas e que a MP transferiu para a Base Nacional Comum Curricular, o que deverá ser ensinado nas escolas. De acordo com o MEC, não há sinalização que os conteúdos deixarão de fazer parte do ensino médio ou que serão retirados da Base, que definirá também as diretrizes da formação dos professores.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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