Polícia de MG conclui 3º inquérito sobre barragem e indicia 7 por lesão corporal

Rayder Bragon

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, nesta sexta-feira (28), o terceiro inquérito sobre o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), e indiciou sete pessoas pelo crime de lesão corporal grave. Caso sejam condenadas, elas podem cumprir pena de 1 a 5 anos de detenção.

Em novembro de 2015, o rompimento da barragem matou 19 pessoas [um corpo ainda não foi localizado] e foi considerado o maior desastre ambiental do país.

Foram indiciados Ricardo Vescovi de Aragão, ex-diretor-presidente da Samarco, Kleber Luiz Mendonça Terra, ex-diretor de operações e infraestrutura, Wagner Milagres Alves, ex-gerente geral de operação de mina, Wanderson Silvério Silva, que exercia o cargo de coordenador de planejamento e monitoramento, além de Germano Silva Lopes, ex-gerente geral de projetos estruturantes, Daviely Rodrigues da Silva, ex-gerente de geotecnia e hidrogeologia da Samarco, e Samuel Santana Paes Loures, engenheiro da empresa VogBR, empresa responsável por laudo que garantiu a estabilidade da barragem meses antes do seu colapso. 

Conforme a Polícia Civil, a intenção deste inquérito foi checar se havia vinculação entre sequelas e lesões. O inquérito foi instaurado no dia 29 de setembro, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), e buscou apontar vítimas do crime de lesão corporal de natureza grave.

"Foram realizados exames de corpo de delito indireto, com base em laudos e relatórios médicos do atendimento prestado à época e também por exame complementar pela equipe do posto de medicina legal", trouxe o informe da corporação.

O caminho de destruição da onda de lama da Samarco

Homicídio

As sete pessoas desse terceiro inquérito ora finalizado já haviam sido indiciadas, em fevereiro deste ano, pelos crimes de homicídio qualificado por dolo eventual, inundação e poluição de água potável. Um segundo inquérito foi aberto para averiguar potenciais crimes ambientais e licenciamentos da barragem de Fundão. A polícia informou que ambos estão de posso de Ministério Público Federal.

Por seu turno, o MPF já denunciou 21 pessoas sob acusação de homicídio com dolo eventual.

Sobre o indiciamento anunciado hoje pela Polícia Civil, a Samarco disse, em nota, que "não tem conhecimento da conclusão deste inquérito. A empresa reafirma que tem contribuído repassando todas as informações solicitadas pelas autoridades".

Já o advogado da VogBR, Leonardo Marinho disse estranhar o indiciamento feito pela Polícia Civil.

"O inquérito anterior que eles fizeram acabou tendo um problema de competência e ficou com a Justiça Federal. Eu não entendo, depois de essa questão já ter sido decidida, por que a Polícia Civil continua fazendo investigação de algo que já foi definido como sendo de competência da Justiça Federal", afirmou.
 
Marinho ainda declarou que, apesar disso, o engenheiro Samuel Loures não foi acusado pelo MPF pelo crime de homicídio.
 
"O Ministério Público Federal somente acusou o Samuel por um problema no laudo. Ele não está vinculado com o problema do homicídio e dos crimes ambientais mais graves", frisou. 
 

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