Dez policiais militares são presos suspeitos de triplo homicídio em Manaus

Rosi Carvalho

Colaboração para o UOL

  • Arquivo pessoal

    Rita de Cássia Castro da Silva, 19, desapareceu após a abordagem dos policiais

    Rita de Cássia Castro da Silva, 19, desapareceu após a abordagem dos policiais

Dez policiais militares foram presos nesta terça-feira (8) em Manaus suspeitos de participação em triplo homicídio, formação de grupo de extermínio ocultação dos cadáveres após sumiço de três jovens na periferia da cidade. A prisão ocorreu nove dias após o desaparecimento dos três e protestos públicos de familiares exigindo investigação sobre o sumiço.

Os jovens Alex Julio Roque de Melo, 25, Rita de Cássia Castro da Silva, 19, Weverton Marinho, 20, sumiram após uma abordagem policial com dois carros da Polícia Militar do Amazonas no bairro Grande Vitória, na Zona Leste de Manaus.

Os três estavam em uma moto. Uma câmera de segurança de um comércio do bairro filmou a abordagem e o momento em que os três são colocados nas viaturas da Polícia.

A informação foi divulgada na sede da Delegacia Geral do Amazonas, em Manaus, pelo corregedor-geral do Sistema de Segurança Pública do Estado, Leandro Almada. "A investigação aponta para possível cometimento de triplo homicídio com posterior destruição do cadáver. Típica atividade de extermínio. É o que os indícios apontam e estamos trabalhando para comprovar", afirmou o corregedor.

Arquivo pessoal
Alex Julio Roque de Melo, 25
O corregedor afirmou que a ação dos policiais foi irregular a começar pela detenção dos jovens em período proibido pela justiça eleitoral. Na terça-feira (27), o Código Eleitoral prevê que prisões só podem ocorrer em caso de flagrante e sentença condenatória por crime inafiançável.

Ele afirmou que os depoimentos dos policiais apresentaram contradições. A princípio negaram a detenção dos jovens. Depois que as imagens da câmera vieram a público confirmaram que levaram os três para a 4ª Cicom (Companhia Interativa Comunitária), unidade da Polícia Militar no bairro Grande Vitória. Os policiais presos disseram que depois os três foram liberados com a moto.

O delegado da Delegacia de Homicídios e Sequestro, Luiz Rocha, afirmou que é responsabilidade dos policiais apontarem uma indicação do que ocorreu com os jovens após serem detidos. "Ao abordar um cidadão em qualquer circunstância, os policiais, a partir daí, têm suas responsabilidades. Primeiro de aplicar a lei e segundo de prestar contas do procedimento que foi feito a partir daí. Deste momento em diante não foram mais vistos. Se não sabem informar o procedimento policial legal já é um indicio que temos que considerar".

O corregedor informou que as prisões são temporárias e têm duração de cinco dias. Almada disse que os investigadores do caso vão avaliar se haverá necessidade de pedir prisão preventiva para todos ou parte dos presos. Foram presos dois aspirantes, dois sargentos, quatro soldados e dois cabos. O corregedor afirmou que alguns têm mais de 27 anos de polícia militar, outros apenas cinco anos na corporação. Ele afirmou que entre os policiais presos há um que responde por crime de extorsão e que, durante a execução do mandado de busca e apreensão, foi encontrado na casa dele R$ 20 mil. 

Leandro Almada afirmou que a investigação aponta para dois tipos de participação no crime, um núcleo que abordou e participou do sumiço dos jovens e outros que, ao tomarem conhecimento da ação irregular, não tomaram nenhuma atitude legal. Almada acrescentou ainda que caso de fato os cadáveres tenham sido destruídos, o crime não ficará impune.

"Os cadáveres são uma importante materialidade do crime, mas não é a única. Não sendo possível (encontrar a) prova da materialidade pela destruição de cadáver, vamos apontar os responsáveis pela ação. Não vamos permitir que a destruição dos cadáveres torne uma ação criminosa impune", afirmou o corregedor.

O corregedor disse que as investigações iniciaram logo que a denúncia chegou ao conhecimento da polícia e que as primeiras apurações foram realizadas pela Delegacia de Homicídios e Sequestro e, em seguida, conduzidas pela Corregedoria da Secretaria de Segurança por envolver policiais militares. A família levou o caso e a filmagem da abordagem aos jornais locais em Manaus e houve protestos no bairro com queima de veículo na rua para chamar atenção para falta de investigação sobre o desaparecimento dos jovens.

A Secretaria de Segurança indicou que tudo que foi apresentado pelas famílias dos jovens como a filmagem, uma sandália que seria de Alex suja de sangue e um estojo de munição encontrados no bairro foram encaminhados à perícia técnica. 
 

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