PM ajudou traficantes a planejar morte de juíza e policiais no RS, aponta investigação

Do UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/Polícia Civil do RS

    O "caveirão", carro modificado que o grupo usava para transportar vítimas e corpos

    O "caveirão", carro modificado que o grupo usava para transportar vítimas e corpos

Uma quadrilha de traficantes gaúchos estava planejando os assassinatos de uma juíza e de policiais responsáveis pela prisão de mais de cem membros do grupo, segundo investigações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

O plano foi descoberto a tempo pela polícia, que verificou que ao menos um policial militar abastecia os criminosos com informações sigilosas dos alvos, inclusive de assessores e familiares da magistrada. De acordo com a investigação, a ideia nasceu dentro do Presídio Central de Porto Alegre, onde a cúpula do grupo está presa.

Na manhã desta sexta-feira (11), agentes da Polícia Civil cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa de um policial militar lotado no Vale do Taquari. Segundo as investigações, ele usava o sistema de informações das forças de segurança estaduais e repassava os dados -- como telefones e endereços -- aos traficantes. Os investigadores não estão divulgando nomes nem locais por medida de segurança.

"O mandado de hoje serviu como uma medida cautelar para o aprofundamento das investigações. Já tínhamos delimitados os planos que envolviam ataques a autoridades e detectamos irregularidade no uso da ferramenta policial de pesquisa", disse o delegado Marco Antônio de Souza, da Divisão Judiciária e de Operações. "Infelizmente ainda existe risco para magistrada e os policiais."

Conforme a investigação, os criminosos pretendiam retaliar as autoridades pela "perseguição à quadrilha". Mais de 120 pessoas ligadas ao bando já foram presas. Muitas delas já estão de volta às ruas.

A juíza jurada de morte foi trocada de comarca. Ela concedeu os mandados de busca e apreensão e de prisão contra a quadrilha. Alguns policiais que participaram das prisões e que seriam alvos da quadrilha também mudaram de delegacias.

Ordens partiram de dentro de presídio

Os investigadores apuraram que a ideia da vingança partiu dos líderes do grupo. Quatorze estão presos no Presídio Central, em Porto Alegre, e um na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, na região metropolitana.

A investigação teve início após o desmantelamento de uma das maiores quadrilhas da região metropolitana de Porto Alegre, em junho de 2015, durante a Operação Clivium.

O bando estava envolvido com tráfico de drogas, homicídios, sequestros, lavagem de dinheiro e corrupção de menores. Na ocasião, 23 pessoas foram presas. Entretanto, outras 60 já haviam sido capturadas ao longo de um ano de investigações.

Segundo o delegado Eduardo Hartz, diretor da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, os policiais haviam conseguido identificar desde o vendedor de drogas, "passando pelo gerente do tráfico até aquelas pessoas responsáveis por lavar o dinheiro".

Além das prisões, polícia e Justiça estavam dando um duro golpe na quadrilha. Nos últimos meses, contas estavam sendo bloqueadas por ordem judicial e imóveis e veículos foram tomados.

O bando possuía um forte poderio bélico e agia com extrema violência. Era deles o veículo apreendido em outubro do ano passado que era utilizado em confrontos e execuções. Por dentro, o Honda Civic preto era reforçado com chapas de aço com orifícios para canos de armas. Mas foi o porta-malas que deu origem ao apelido de "caveirão".

Modificado, ele servia para transportar vítimas e corpos. Furos haviam sido feitos no assoalho para a melhor limpeza do local. A polícia acredita que até 40 pessoas possam ter sido mortas no veículo.

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