Deputados elogiam ação da PM em protesto que fez Rio virar praça de guerra

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Luiz Souza/Estadão Conteúdo

    6.dez.2016 - Carros blindados da PM são usados para conter protesto nas imediações da Alerj

    6.dez.2016 - Carros blindados da PM são usados para conter protesto nas imediações da Alerj

Parlamentares da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) fizeram nesta quarta-feira (7) uma moção de agradecimento à Polícia Militar, ao Corpo de Bombeiros e à Força Nacional de Segurança pela atuação no protesto de ontem nos arredores do Palácio Tiradentes, sede do Legislativo. O ato foi marcado por um intenso confronto entre as forças policiais e servidores que se opõem ao pacote anticrise do governo do Estado, que começou a ser votado ontem pelos deputados.

Para os parlamentares que assinam o documento, os "agentes agiram de forma correta e dentro de suas atribuições constitucionais" depois de sofrerem ataques com morteiros e pedras. "Eles agiram da forma que a lei determina, com materiais não letais, em conformidade com o princípio do uso proporcional da força."

Assinaram o documento os deputados: Jorge Picciani (PMDB), Edson Albertassi (PMDB), Milton Rangel (DEM), André Lazaroni (PMDB), Iranildo Campos (PSD), Dionísio Lins (PP), Luiz Martins (PDT), Farid Abrão (PTB), Marco Abrahão (PTdoB), Marcos Muller (PHS), Márcio Pacheco (PSC), João Peixoto (PSTC), Comti Bittencourt (PPS), Dr. Sadinoel (PMB), Tio Carlos (SDD), Andre Correa (PSD), Bernardo Rossi (PMDB), Chiquinho da Mangueira (PTN), Cidinha Campos (PDT), Dr. Deodalto (DEM), Fábio Silva (PMDB), Flávio Bolsonaro (PSC), Geraldo Pudim (PMDB), Jair Bittecourt (PP), Jânio Mendes (PDT), Jorge Felippe Neto (DEM), José Luiz Nanci (PPS), Lucinha (PSDB), Marcelo Simão (PMDB), Márcio Canella (PSL), Marcos Vinícius (PTB), Martha Rocha (PDT), Nivaldo Mulim (PR), Osorio (PSDB), Paulo Melo (PMDB), Pedro Fernandes (PMDB), Rosenverg Reis (PMDB), Samuel Malafaia (DEM), Waguinho (PMDB) e Zé Luiz Anchite (PP).

Paula Bianchi/UOL
Deputados exaltam ação da PM, dos bombeiros e homens da Força Nacional
Durante o tumulto, PMs do Batalhão de Choque invadiram a Igreja de São José e utilizaram o local como base para lançar bombas de efeito moral em direção aos manifestantes. O centro do Rio teve cenas de praça de guerra, e o embate durou cerca de cinco horas. Nesta quarta, o comandante-geral da PM, Wolney Dias, desculpou-se com o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, e classificou a ação de seus subordinados como "lamentável".

Ontem, a PM justificou a invasão, em nota, como uma necessidade: "Foi necessário que policiais do BPChq [Batalhão de Choque] entrassem na igreja vizinha à Alerj para coibir ações violentas no interior e no entorno".

Na avaliação dos deputados, o ato foi liderado por uma "minoria de servidores públicos e muitos infiltrados", que transformaram uma "manifestação que prometia ser pacífica e democrática" em um "rastro de destruição", afetando o funcionamento dos transportes públicos e causando o fechamento de estabelecimentos comerciais.

A moção diz ainda que os policiais, bombeiros e homens da Força Nacional evitaram uma "tragédia de grandes proporções" na sede da Alerj, onde teria ocorrido um "princípio de incêndio causado por um rojão arremessado pelos manifestantes".

Embate durou mais de 5 horas

Os servidores, entre eles policiais civis, bombeiros e agentes penitenciários, protestavam contra o pacote anticrise do governo do Estado do Rio, que começou a ser votado pelos deputados na tarde de terça.

O confronto entre PMs e manifestantes durou mais de cinco horas. O efetivo de segurança contou com a presença de carros blindados e da cavalaria da Polícia Militar e ruas totalmente bloqueadas.

Enquanto os militares jogava bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, os servidores revidavam chutando as bombas de volta, jogando fogos de artifício contra os agentes e, alguns momentos, cocos encontrados em lixeiras no centro.

A PM perseguiu grupos de manifestantes que resistiam em deixar a frente do Palácio Tiradentes, chegando a dispersar com bombas de efeito moral um bloco de carnaval que se apresentava na Feira da Reforma Agrária, no Largo da Carioca, a cinco quadras da Alerj.

Segundo a corporação, oito PMs ficaram feridos e foram atendidos em um ambulatório dentro da Alerj. Um deles teve ferimento próximo ao olho ocasionado pela explosão de um morteiro. Um jovem, não identificado, foi atingido por uma bala de borracha na garganta.

Votação na Alerj

Na sessão da Alerj foram aprovadas duas medidas de cortes de gastos com o próprio Legislativo (no uso de carros pelos parlamentares e com recepções durante sessões solenes) e um dos projetos do pacote, que autoriza o governo a usar notificações eletrônicas em processos da Fazenda estadual.

Já na sessão desta quarta, os deputados vão votar três projetos de lei. Um deles sugere a proibição de anistia tributária a devedores de impostos pela próxima década. Já outro quer reduzir de 40 para 15 salários mínimos o limite para pagamentos, em dinheiro, de pequenas dívidas do Estado decorrentes de decisão judicial. Por fim, será apreciada uma proposta que prevê que os passageiros das barcas das linhas da Ilha do Governador e da Ilha de Paquetá passarão a pagar a tarifa do Bilhete Único, independentemente de integração intermunicipal, e que põe fim a viagens gratuitas para os moradores de Paquetá e de Ilha Grande.

O projeto de lei que limita o valor do Bilhete Único Intermunicipal a R$ 150 por mês também seria votado hoje, mas os parlamentares decidiram retirá-lo da pauta.

Os deputados também decidiram alterar o calendário de votações. Agora, as sessões irão até a próxima segunda-feira (12). Inicialmente, o plano era seguir com as votações até o dia 15. Os sindicatos de servidores estão agendando uma paralisação geral para os dias 14 e 15.

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