Grupo protesta em shopping de BH contra racismo; direção nega discriminação

Rayder Bragon

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Ayana Amorim/Divulgação

Um grupo portando cartazes com dizeres contrários à discriminação racial fez ato de protesto dentro das dependências do Shopping Cidade, localizado no centro de Belo Horizonte, nessa terça-feira (20).

Os participantes percorreram corredores do local e ainda se postaram em uma das entradas onde permaneceram por um período.

O ato se deu após jovens terem afirmado que sofreram perseguição de seguranças do estabelecimento comercial e foram impedidos de circular nos corredores do shopping. O caso, conforme relato de uma jovem, ocorreu na sexta-feira passada (16).

A estudante de pedagogia Ayana Amorim de Oliveira, 22, que faz parte da Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras), afirmou ter sido vítima de discriminação. O protesto foi convocado por ela e contou com o apoio da entidade da qual faz parte.

Sobre o que teria ocorrido na sexta passada, Ayana contou que ela e outras duas amigas foram seguidas por seguranças do shopping a partir do momento em que entraram no local. A jovem afirmou ainda que, posteriormente, encontrou-se com dois adolescentes que já tinham sido impedidos de circular no interior do centro comercial. A jovem disse ter dito aos funcionários que assumiria a responsabilidade pelos dois adolescentes.

"Eles passaram a nos seguir de forma bem explícita, sem aos menos disfarçar, como uma sombra mesmo", afirmou.

A jovem ainda esclareceu que, apesar do monitoramento, eles ainda conseguiram consumir sorvetes na área das salas de cinemas. No entanto, quando se preparavam para deixar o local, um dos adolescentes teria sido empurrado por um segurança contra vidro de uma das lojas.

Ainda de acordo com relato dela, ao questionar o ato, o quarteto passou a sofrer agressão física e verbal e ela disse ter ouvido que a presença deles colocava em risco a segurança do estabelecimento.

"Nesse momento, eu questionei o motivo pelo qual a gente estaria ameaçando a segurança do shopping e ainda perguntei: seria porque somos negros?", relatou.

A jovem afirmou ter acionado a Polícia Militar e registrado um boletim de ocorrência.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, o boletim de ocorrência feito pela PM informou que um homem identificado como supervisor de segurança do shopping disse ter flagrado os dois adolescentes "brincando" no corrimão de uma das escadas rolantes e, por esse motivo, foram abordados. Ainda na versão apresentada pelo funcionário do shopping, os adolescentes fizeram ameaças aos seguranças. No documento, ainda conforme o setor, constou a informação dando conta de os adolescentes não possuírem residência fixa.

Ayana Amorim afirmou que pretende processar a direção do shopping.

"A gente nunca é visto como consumidor. Sempre somos vistos como quem pode furtar, como quem pode praticar algum delito', disse, para complementar: "sempre têm um treinamento que faça com que eles [seguranças] reproduzam estereótipos dos quais eles devem prestar atenção. Aí entra o tipo de roupa, de comportamento, de corte de cabelo e, invariavelmente, as características desses estereótipos recaem sobre os negros", destacou.  

Shopping nega racismo

Em nota, a direção do shopping limitou-se a dizer que "sempre agiu, inclusive nesse caso, com respeito com seus clientes, lojista e colaboradores, independente de raça, cor, religião e sexo".

Em seguida, o texto afirma que o centro comercial "tem como missão garantir a segurança e o bem-estar de todos que frequentam o shopping" e ressaltou possuir "posicionamento democrático e acolhimento à diversidade".

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