Na Rocinha, Crivella joga capoeira e sugere "tubulação furada" para sanear valões

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Hanrrikson de Andrade/UOL

    4.jan.2017 - Crivella arrisca passos de capoeira em uma roda na Via Ápia

    4.jan.2017 - Crivella arrisca passos de capoeira em uma roda na Via Ápia

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), esteve nesta quarta-feira (4) na favela da Rocinha, na zona sul carioca, onde conversou com moradores e participou de uma ação de combate ao mosquito Aedes.

Durante a visita, ele arriscou passos de capoeira em uma roda que ocorria na Via Ápia, em um dos acessos à comunidade, mas demonstrou pouca desenvoltura nos movimentos.

O político foi questionado sobre os problemas históricos de saneamento na comunidade, onde existem 32 valões a céu aberto e deficiência na coleta de esgoto. Crivella sugeriu uma reforma estrutural com instalação de "tubulações furadas", que permitiriam separar a água dos resíduos sólidos.

"Os valões ficam abertos, até mesmo porque eles fazem a coleta das águas que caem das chuvas. Já existem hoje tubulações modernas que são todas furadas, de tal maneira que elas recebem a água da chuva, mas não deixam cair o lixo e o esgoto porque os furinhos são pequenos ", disse ele, que tem formação em engenharia.

"É uma solução que eu vi em outros países e quero aplicar aqui", completou. "São tubos enormes, com diâmetro de mais de um metro e meio. Assim podemos usar esses valões como berço, como leito."

O prefeito afirmou ainda que está cobrando a Cedae, que é do Estado, para criar soluções relacionadas ao saneamento básico nas comunidades cariocas, sobretudo na Rocinha.

"A questão do abastecimento de água e da coleta de esgoto é um problema seríssimo na Rocinha. Isso é com o pessoal da Cedae, não com a prefeitura. Mas estamos cobrando."

Em conversa com moradores, a reportagem do UOL ouviu algumas reclamações e reivindicações da comunidade, que, além de lidar com a escassez de saneamento básico, sofre sofre constantemente com falta de água e de luz, segundo relatos.

Manoel Miguel, morador do Largo do Boiadeiro, próximo ao acesso do valão, afirmou que o abastecimento hídrico foi suspenso na terça-feira (3) em alguns pontos da Rocinha, como Roupa Suja e Dionéia.

"Até agora a água não voltou. Tem que tomar um banho por dia, mesmo com esse calor de rachar", disse. Já Neide Aparecida, moradora da Travessa Roma, declarou: "Queda de luz é toda hora. É só bater um vento mais forte."

No decorrer da visita, o prefeito entrou em três casas de moradores da comunidade para acompanhar o trabalho de agentes que atuam no programa de combate às doenças causadas pelo mosquito Aedes. "Colocamos o larvicida e estamos levando amostras de água para verificar se estão ou não contaminadas."

A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio e, apesar de possuir uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), é constantemente citada no noticiário por confrontos com traficantes de drogas.

Moradores relatam que o ordem no local é ditada pelo crime organizado e prevalece a lei do silêncio. A passagem de Crivella pela Rocinha foi acompanhada à distância por poucos PMs da UPP.

Metrô

Questionado sobre um decreto publicado no Diário Oficial que cria uma comissão para estudar de que forma a Prefeitura do Rio poderá ajudar no processo de expansão do metrô, Crivella declarou estar aberto a uma parceria com o governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB).

"Na verdade, queremos fazer parceria para verificar em que setor a prefeitura pode apoiar as obras do metrô, sobretudo na estação da Gávea. Em termos do subsolo, nós temos várias tubulações do município. Tem também a questão do trânsito, da urbanização, o uso do solo. É uma maneira de a gente poder estreitar os laços com o governador para estender o metrô."

Reabertura dos restaurantes populares

Crivella disse que a Prefeitura do Rio já está em contato com o governo do Estado para viabilizar a gestão dos restaurantes populares, que foram fechados pelo Executivo fluminense por conta da falta de recursos e da grave crise econômica.

"Estamos em contato com o Pezão, pois há vários restaurantes que estão fechados. Ontem mesmo estivemos em Bangu [na zona oeste carioca] e vários populares me pediram para reabrir o restaurante popular. Nossa secretária, Clarissa [Garotinho], está em contato com o Estado para fazer uma parceria que permita a reabertura."

O prefeito foi questionado se, após declarar em discurso de posse que era "proibido gastar", não seria agora incoerente assumir a gestão dos restaurantes populares. Para Crivella, há dinheiro suficiente.

"Cortamos mais da metade das secretarias e dos cargos comissionados. Pedimos aos secretários que reduzissem em 25% o custo de todos os contratos de fornecimento de equipamentos e serviços. Estamos fazendo um grande esforço para atualizar as receitas tributárias do município. É aí que vamos encontrar os recursos."

"O que custa caro são os túneis, as ciclovias, os viadutos, os grandes estádios e as remoções."

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