Peritos do IML protestam durante visita de Cármen Lúcia a Manaus

Colaboração para o UOL, em Manaus

  • Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

    Peritos do IML protestam em frente ao Tribunal de Justiça do Amazonas

    Peritos do IML protestam em frente ao Tribunal de Justiça do Amazonas

Peritos do IML (Instituto Médico Legal do Amazonas) de Manaus fizeram um protesto em frente ao TJ-AM (Tribunal de Justiça do Amazonas) na manhã desta quinta-feira (5) no momento em que a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), estava no local.

A ministra se reuniu com presidentes de tribunais da região Norte e Nordeste três dias após o massacre no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), que terminou com 56 mortes.

No protesto, os peritos afirmaram que, por falta de insumos básicos e estrutura para a perícia, não há 100% de garantia de que as partes dos corpos entregues às famílias dos detentos no massacre de Compaj sejam da mesma pessoa.

O perito legista e representante do Sindicato dos Peritos do Amazonas, Cléber Redivo, que é médico e professor de medicina legal na Universidade Federal do Amazonas, afirmou que faltou até gaze no dia das mortes.

"Logo após a ocorrência, não tínhamos nem luva e nem gaze no IML. Foi uma correria geral para emprestar dos hospitais e dar conta da demanda", disse.

Ao ser questionado sobre a certeza de que as partes dos corpos já entregues às famílias dos detentos eram da mesma pessoa, Redivo respondeu: "Essa pergunta eu vou ficar sem responder. Nós tentamos, com os instrumentos e dificuldades que tínhamos, entregar os corpos da melhor maneira possível (...) Todas as necropsias foram realizadas na segunda-feira. Nossa dificuldade é na identificação. Sabemos a causa das mortes, mas não conseguimos a identificação. Comparar imagem do corpo com foto não é identificação. Isso é reconhecimento", disse.

Superlotado, presídio de Manaus foi cenário de massacre

Ele relatou que o Estado do Amazonas não tem um cadastro da identificação dos detentos. Redivo declarou que a maior dificuldade dos peritos é montar o "quebra-cabeça" dos corpos mutilados.

"Temos um problema que muitos cadáveres foram decapitados. Temos dificuldade em fazer a montagem dos corpos. Tem corpos que não conseguimos encontrar partes para montar o quebra-cabeça".

O perito disse ainda que a intenção do protesto era levar ao conhecimento de Cármen Lúcia a realidade da perícia técnica no Amazonas. Ele afirmou que as informações repassadas pelo Governo do Amazonas até agora não condizem com a realidade do IML.

"Não existe justiça sem uma prova material contundente, sem uma perícia que funcione e que dê materialidade para os crimes e processos judiciais", disse.

Segundo a assessoria dp TJ-AM, a ministra Carmen Lúcia pediu ao presidente do Tribunal, Flávio Pascarelli, que receba todas as reclamações apresentadas pelos peritos e repasse a ela. Ainda segundo a assessoria, a presidente do STF e do CNJ não pôde receber os peritos porque tinha agenda em Brasília.

Outro lado

Em nota oficial divulgada nesta tarde, a SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas) afirmou que precisou comprar insumos por se tratar de uma "situação atípica, 60 mortos", mas disse que o estoque foi reforçado logo nas primeiras horas da segunda-feira, "sem comprometer nenhuma perícia".

O texto diz ainda que a identificação dos corpos no IML tem seguido os padrões internacionais de identificação de vítimas. "Dentre as metodologias cientificamente reconhecidas e utilizadas estão: papiloscopia florence (identificação por impressão digital), odontologia legal e exame de genética florence".

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