Após massacre, fuga e homicídios, Manaus sofre com boataria

Colaboração para o UOL, em Manaus

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    Lojas fecham as portas em Manaus após boato de arrastão

    Lojas fecham as portas em Manaus após boato de arrastão

A primeira semana do ano, que começou com o massacre de 60 detentos e a fuga de quase 200 presos e que ainda registrou uma onda de homicídios e de boatos nas ruas e nas redes sociais, mudou a rotina de Manaus. Lojistas, donos de bares e de restaurantes da cidade já sentem a queda no movimento em função do medo que tomou conta das pessoas na cidade.

Na madrugada deste domingo (8), outros quatro detentos foram mortos na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, localizada no centro de Manaus. Segundo balanço divulgado ontem, dos 184 fugitivos do início semana, 67 foram recapturados, ou seja, 117 continuam foragidos.

De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, a maior mudança no comércio não foi o aumento de registros de roubos e furtos, mas, sim, o sumiço massivo das pessoas dos centros comerciais. Bares e lanchonetes, que costumam receber clientes à noite, também tiveram baixa procura nesta semana.

Quem circulou em Manaus após às 21h ao longo da última semana se surpreendeu com o deserto nas principais avenidas. No centro comercial, o vazio começou mais cedo. Em geral, o horário entre 18h e 19h é de grande engarrafamento, mas as ruas ficaram sem os carros e o barulho do trânsito.

O funcionário público Mastewener Abreu afirmou que foi a bares na zona centro-sul de Manaus com os amigos na quarta (4) e quinta-feira (5), como faz com frequência. Ele se disse surpreso com o fato de que, mesmo com banda ao vivo, em um dos locais apenas três mesas estavam ocupadas.

Em outro bar, que tem ambiente interno e externo, todos os clientes estavam na parte de dentro. "Não é assim nesses bares. Sentei fora com os amigos, mas depois nos demos conta que também estávamos com sensação de medo a cada moto que passava. E resolvermos encerrar a noite mais cedo", disse.

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Boato de arrastão assusta moradores e fecha comércio

Na sexta-feira, circulou informação de que havia ocorrido um arrastão no centro da cidade por volta de 15h, onde há lojas e circulação de pessoas. Uma funcionária pública da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), cuja repartição fica em um prédio na avenida Eduardo Ribeiro, no centro de Manaus, e que pediu para não ser identificada, disse que tentou sair do local onde trabalha, na hora da correia, mas não conseguiu porque haviam trancado a porta impedindo as pessoas de sair.

"Todos ficaram nervosos e esperaram acalmar para sair de lá. Só descobri que era um boato quando cheguei em casa. Mas, na hora, parecia verdade. As pessoas saíram correndo", contou.

Durante o episódio, lojas fecharam as portas com os clientes dentro. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, Ralph Assayag, disse que, em pouco tempo, constataram que o problema havia sido provocado por uma gritaria seguida de uma histeria coletiva e que não ocorreu um arrastão.

"Orientamos os lojistas a reabrirem seus comércios. Fizeram isso, mas já era tarde. Não havia mais movimento. As pessoas esvaziaram o centro com medo. A população está com medo em Manaus", afirmou.

"É uma pena que não haja sensibilidade [por parte do governo] para promover uma maior sensação de segurança entre as pessoas", disse.

Secretário diz que segurança foi reforçada

O secretário de Estado de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, disse que a segurança em Manaus foi ampliada.
"Reforçamos o policiamento em toda cidade. Policiais que atuavam na área administrativa estão nas ruas. Uns 300 a mais. Não há nada para que as pessoas achem que a segurança na cidade saiu do controle. Por causa dos homicídios de quarta para quinta? Já tivemos registros em finais de semana assim. Teve muita coisa passional e por causa de cachaça. Teve execução também. Mas porque, infelizmente, Manaus tem registros de violência e isso não aconteceu de ontem para hoje", declarou.

Fontes disse que a secretaria recebeu vários pedidos de reforço policiais para locais diferentes de Manaus. "Entendo o pedido da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus. A Ufam (Universidade Federal do Amazonas) também pediu ... Todo mundo quer. Mas temos que garantir a cidade toda. O centro e a periferia", disse.

Ontem, seis dias após as primeira mortes em presídios, o governo do Estado pediu apoio da Força Integrada de Atuação do Sistema Penitenciário, vinculada ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça.

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