RN registra novo motim em presídio; sindicato fala em represália após massacre

Nathan Lopes

Do UOL*, em São Paulo

Um dia após o fim da rebelião que terminou com 26 mortos na maior penitenciária do Rio Grande do Norte, um novo motim foi registrado, desta vez no Presídio Provisório Raimundo Nonato Fernandes, em Natal. Não há informações sobre mortes, feridos ou fugas.

Por volta das 3h (4h em Brasília) desta segunda-feira (16), os presos se rebelaram, segundo a PM (Polícia Militar). Alguns colchões foram queimados por detentos e os agentes penitenciários realizaram alguns disparos para conter o grupo, até a chegada do reforço da Polícia Militar com o BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e Batalhão de Choque na área externa, informou a Sesed (Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Social).

Os detentos construíram barricadas para impedir a entrada de agentes carcerários e ameaçaram atacar os presos que ficam no pavilhão 2 da unidade. Os presos tentaram derrubar um muro para acessar outro pavilhão do presídio. De acordo com a secretaria, "a situação está controlada".

Às 6h30, agentes do GOE (Grupo de Operação Especiais) entraram no presídio provisório Raimundo Nonato para controlar a situação. Eles realizam uma vistoria no local. Equipes da PM e BOPE  fazem a segurança do lado de fora do presídio por volta das 8h.

Represália

De acordo a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Vilma Batista, os presidiários afirmam que o motim é uma represália às mortes de presos na briga entre facções no sábado (14) na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, região metropolitana de Natal.

Vilma disse ainda que os detentos que se rebelaram no Raimundo Nonato juraram vingança e que essa resposta não deve acontecer somente dentro dos estabelecimentos prisionais do Estado do Rio Grande do Norte.

O presídio provisório é o mesmo em que 46 detentos conseguiram escapar por um túnel em janeiro do ano passado. Foi a maior fuga ocorrida em presídio da história do Rio Grande do Norte. Na ocasião, os presidiários cavaram um túnel de 40 metros a partir do Pavilhão B da unidade até o Complexo Penal João Chaves, que custodia presos em liberdade provisória e fica no prédio ao lado.

Sobre a rebelião desta segunda-feira, o Sindicato dos Agentes confirmou que boa parte do presídio foi danificada. Enquanto promoviam o quebra-quebra, presos gritavam contra os agentes e repetem o nome da facção Sindicato do Crime do RN.

Segundo relatório do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de 14 de dezembro do ano passado, o Raimundo Nonato Fernandes tem capacidade para 166 detentos, mas abriga 600. Desses, 551 são provisórios.

O presídio abriga 20% dos detentos que ainda não foram julgados no Estado do Rio Grande do Norte. De acordo com a avaliação do CNJ, as condições do estabelecimento penal são "péssimas".

Andressa Anholete/AFP
Corpos são escavados da areia do presídio de Alcaçuz

26 mortos no fim de semana

No domingo (15), após mais de 14 horas de rebelião, o governo do Estado deu por encerrado o motim na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal.

Quase todos os corpos dos 26 presos assassinados foram decapitados; com exceção de dois carbonizados. "Pela perícia, todos foram decapitados. Um corpo carbonizado não foi possível identificar ainda. Todos ainda tinham marcas de objetos perfuro-cortantes; nenhum aparente com marca de tiro", disse Marcos Brandão, coordenador do Instituto Técnico-Científico de Perícia.

Com mais essas mortes, o número de detentos mortos no país dentro de presídios chega a 129 neste ano. As mortes já equivalem a 35% do total registrado em todo ano passado. Em 2016, foram ao menos 372 assassinatos.

Reforço

Também ontem. o governo do Estado informou que reforçou a segurança com apoio da Força Nacional, nas imediações do presídio de Alcaçuz.

Segundo o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Caio Bezerra, o policiamento foi reforçado na área interna e no perímetro externo.

"Vamos também reforçar as posições da polícia nas guaritas. O período noturno exige bastante atenção, cuidado. Vamos atuar para que sejam mantidos os presos em seus respectivos lugares, impedindo que grupos rivais entrem novamente em conflito", declarou.

"Vamos trabalhar com apoio da Força Nacional, ampliando o perímetro de atuação e prevenir fugas", completou o secretário.

Durante a revista feita nesse domingo, Caio informou que foram encontradas armas de fogo artesanais. Uma nova varredura será feita na manhã desta segunda-feira (16). (Com Estadão Conteúdo)

Governo confirma 26 mortes em presídio do RN

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