Familiares de vítimas de massacre no RN souberam de mortes pela internet

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Natal

  • Beto Macário/Colaboração para o UOL

    Ana Iris, 22, mostra a carteira de identidade do marido, Luiz Costa, 24, morto no massacre na penitenciária de Alcaçuz

    Ana Iris, 22, mostra a carteira de identidade do marido, Luiz Costa, 24, morto no massacre na penitenciária de Alcaçuz

Familiares de presos mortos no massacre na penitenciária de Alcaçuz, no último sábado (14), estão ajudando a reconhecer os corpos dos 26 detentos assassinados no presídio.

Alguns deles contam que receberam fotos e vídeos de dentro do complexo no dia da chacina e reconheceram os corpos.

Na manhã desta terça-feira (17), a mulher de um preso foi até o Itep (Instituto Técnico-Científico de Perícia) e contou que reconheceu o marido morto por fotos divulgadas na internet no domingo (15). 

Luiz Costa, 24, estava preso desde março de 2016 por assalto. A viúva afirma que o marido não fazia parte de facção criminosa.

"Quando fui ler as notícias, vi a foto na internet e notei que era ele. Nós trocávamos cartas, e ele nunca disse que tinha problemas, dizia só que estava tudo bem, que não me preocupasse. Ninguém esperava isso", contou Ana Iris, 22.

Durante a entrevista com o UOL, a mãe do preso morto desmaiou na frente do Itep e precisou ser amparada. Instantes antes, ela --que tem outros quatro filhos-- havia relatado que "sentia uma angústia".

Outro familiar de preso morto, que não quis se identificar, mostrou um vídeo com as imagens do irmão assassinado dentro de Alcaçuz. "Recebi esse vídeo com a imagem dele e viemos aqui pedir a liberação do corpo. Meu irmão nunca matou ninguém, estava preso por tráfico. Sempre dava conselhos a ele, mas não ouviu", contou, citando que seu irmão também era "neutro" de facções.

Na frente do Itep, uma tenda foi montada com cadeiras para receber os familiares que buscam informação.

Os corpos estão sendo mantidos conservados dentro de um caminhão frigorífico –que, por questões de segurança, está estacionado no comando da Polícia Militar.

Segundo o diretor do instituto, Marcos Brandão, são 31 câmaras frigoríficas, e não haveria espaço para acomodar os corpos da chacina.

"Além dessas necropsias, os crimes, os acidentes, os suicídios seguem ocorrendo e temos uma rotina normal. Em alguns casos é preciso colher informações da vítima quando ainda estava viva, e é preciso buscar os familiares. Isso leva tempo e é a maior dificuldade", ressaltou.

Até a manhã desta terça-feira, haviam sido identificados quatro corpos, que estavam em melhor estado de conservação. A expectativa é que a perícia seja concluída em até 30 dias.

Nesta terça-feira de manhã, detentos de Alcaçuz continuavam livres dentro dos pavilhões e ainda ocupavam os telhados da penitenciária. O governo estadual está investigando a possível participação de funcionários do sistema prisional na entrada de armas e objetos proibidos dentro da penitenciária.

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