Temer fala em 'desordem completa e integral' em presídios

Do UOL, em São Paulo

  • Avener Prado/Folhapress - 17.jan.2017

    Na terça-feira (17), detentos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, circulavam entre os pavilhões e ocupavam os telhados da unidade

    Na terça-feira (17), detentos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, circulavam entre os pavilhões e ocupavam os telhados da unidade

O presidente Michel Temer nesta quarta-feira (18) falou que há uma "desordem de maneira completa e integral em alguns presídios" brasileiros ao comentar sobre a medida do governo de disponibilizar as Forças Armadas para atuarem na vistoria de penitenciárias diante da atual crise carcerária.

"Às Forças Armadas não cabe exercitar a segurança pública, mas cabe manter a lei e a ordem nos termos constitucionais. Por isso, para manter a lei e a ordem, porque há uma desordem que se verifica de maneira completa e integral em alguns presídios do país, é preciso uma interferência amparada pela Constituição", afirmou.

A declaração pública foi dada no início de uma reunião do presidente em Brasília, na tarde de hoje, com governadores da região Norte e de alguns Estados do Centro-Oeste do país.

Temer declarou que os militares farão inspeções nos presídios, "a cada certo período, quem sabe mês a mês, para de lá retirar armas". Ele ressaltou que os membros das Forças Armadas não terão contato nem vão cuidar dos presos.

O presidente reconheceu que essa medida não vai resolver a crise carcerária. "Não será apenas a inspeção periódica nos presídios que irá solucionar o problema".

Pela manhã, o presidente já havia comentado sobre o uso das Forças Armadas nos presídios estaduais, afirmando que se trata de "uma ousadia". "Mas é uma ousadia que o Brasil necessita e que dá certo. Essa é a grande realidade."

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Operação permanente nas fronteiras

Diante dos governadores, Temer anunciou hoje à tarde que as operações realizadas pela Polícia Federal nas fronteiras do país, que atualmente são esporádicas, vão se tornar permanentes.

"Pelas fronteiras, é por onde entram armas, drogas, contrabando, que é um alimento para o crime transacional. Por isso nós estamos agora transformando aquelas operações de fronteira, que eram episódicas, em permanentes", disse.

"Essas atividades serão permanentes para tentar controlar essa questão da segurança pública, particularmente aquela que diz respeito à questão dos presídios", complementou.

Crise carcerária

Do começo do ano até agora, foram registradas quase 140 mortes de detentos em presídios brasileiros. Ao longo de todo o ano passado, foram ao menos 372 assassinatos dentro de unidades prisionais no país.

Massacres foram registrados no Amazonas (64 detentos mortos), em Roraima (33) e no Rio Grande do Norte (26).

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