RN: Presos usam corda de pano para tentar fugir da penitenciária de Alcaçuz

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Beto Macário/UOL

    Na penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta (RN), os prédios não têm mais cobertura

    Na penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta (RN), os prédios não têm mais cobertura

Presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta (região metropolitana de Natal), tentaram fugir pelo telhado da unidade prisional, na madrugada desta segunda-feira (23), usando uma teresa –espécie de corda feita com lençóis. Eles foram flagrados pela guarda externa do presídio e ninguém fugiu, segundo o governo. Um preso foi baleado na contenção da fuga.

Os presos de Alcaçuz e do presídio Rogério Coutinho Madruga, conhecido como pavilhão 5 e que fica vizinho à penitenciária, estão amotinados desde o último dia 14, quando 26 presos foram assassinados em briga entre as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Sindicato do Crime do RN.

A disputa das facções dentro das penitenciárias do RN já causou ataques a pelo menos 30 veículos – entre ônibus e carros oficiais, de Estado e prefeituras do RN.

Segundo a Sejuc (Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania), os presos subiram com a teresa pelo telhado do alojamento dos agentes penitenciários para tentar pular a muralha do presídio. No momento da fuga, agentes penitenciários e policiais militares que estão fazendo a guarda externa observaram o movimento estranho e contiveram o grupo com tiros.

"A polícia atirou para que os presos recuassem, o grupo que vinha atrás voltou, entrou nos pavilhões e nenhum deles fugiu", disse a Sejuc. Ainda não se sabe de que pavilhão de Alcaçuz os presos eram e nem a identidade deles. A secretaria não explicou como os presos conseguiram ter acesso ao alojamento dos agentes penitenciários.

Segundo a Sejuc, o preso foi atingido por bala no braço e foi socorrido pelo hospital Walfredo Gurgel. O estado de saúde dele é estável e ele não corre risco de morte. A secretaria não informou se o preso foi atingido por munição comum ou bala de borracha, mas enfatizou que o preso foi atingido no braço porque é uma área não letal.

Túneis

Ainda nesta segunda-feira, policiais militares do Rio Grande do Norte e da Força Nacional de Segurança Pública encontraram um terceiro túnel escavado nos arredores do complexo de Alcaçuz. O túnel descoberto hoje e os dois encontrados nesse domingo (23) estavam saindo do muro do presídio Rogério Coutinho Madruga, mas nenhum preso fugiu.

Os túneis foram descobertos depois que choveu e a área escavada pelos presos desabou. Os presídios de Alcaçuz e Rogério Coutinho Madruga foram construídos em um terreno arenoso, de dunas.

Segundo a polícia, um dos caminhos subterrâneos estava coberto por mato, e não se sabe quem foi responsável pela escavação. "Existe uma pista ao redor de todo o presídio para que as viaturas façam ronda. Com as chuvas de hoje [domingo], a água começou a escorrer, entrou no túnel e parte desabou", contou um policial militar.

Superlotação

A penitenciária de Alcaçuz está superlotada e custodia 1.169 presos num espaço construído para 620 homens. Em Alcaçuz, existem quatro pavilhões com presos das facções PCC (Primeiro Comando da Capital), no pavilhão 3, e Sindicato do Crime do RN, nos 1, 2 e 4.

Já o Presídio Rogério Coutinho Madruga é conhecido como pavilhão 5 de Alcaçuz por ficar vizinho à penitenciária. No Rogério Coutinho Madruga são custodiados 360 presos e não está superlotado. A capacidade da unidade prisional é de 402 presos. 

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