Greve persiste, mas 900 PMs estão nas ruas, afirma governo do ES

Do UOL, em São Paulo

  • GILSON BORBA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Policiais militares se apresentam no centro de Vitória na tarde de sábado (11)

    Policiais militares se apresentam no centro de Vitória na tarde de sábado (11)

O governo do Espírito Santo informou que quase 900 policiais militares estão trabalhando neste domingo (12) no Estado. Para evitar os bloqueios feitos por mulheres de policiais nos quartéis, eles compareceram a locais públicos, como praças e rodoviárias, para iniciar os trabalhos.

A greve chega hoje ao nono dia. Nenhum bloqueio nos quartéis foi desfeito, e o governo capixaba não informou quantos agentes faltaram.

Dos policiais que atenderam ao chamado para o trabalho, 350 são da região norte do Estado, 275 são da região sul e 250 atuam na Grande Vitória. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo, todos estão equipados para fazer o patrulhamento nas ruas.

O transporte e o comércio voltaram a funcionar parcialmente ontem. Em entrevista ao canal "GloboNews" na manhã de hoje, o governador em exercício, César Colnago (PSDB), disse que o sistema de ônibus deverá operar em sua totalidade nesta segunda-feira. "A normalidade está voltando. Estamos dando garantia de que o transporte irá funcionar amanhã." Sobre os policiais que ainda não voltaram ao trabalho, ele declarou que o governo está aberto ao diálogo com as entidades que representam os agentes.

O governo capixaba chegou a um acordo com essas entidades na sexta-feira (10) à noite, mas ele não foi cumprido na manhã de sábado. Somente na tarde ontem, os primeiros policiais retornaram ao trabalho.

O acordo não previa reajuste salarial, mas estabelecia um perdão aos grevistas. Dessa forma, eles não seriam punidos.

Os policiais que não retomarem as atividades estão sujeitos a indiciamento pelo crime militar de revolta, que leva à expulsão e prevê pena de 8 a 20 anos de prisão. Setecentos e três policiais foram indiciados por revolta até sexta-feira.

Com a paralisação dos policiais, o Estado foi tomado por uma onda de violência. Enquanto a greve persiste, 3.130 homens da Força Nacional e das Forças Armadas reforçam a segurança no Espírito Santo.

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Entenda a crise no Espírito Santo

No sábado (4), parentes de policiais militares do Espírito Santo montaram acampamento em frente a batalhões da corporação em todo o Estado. Eles reivindicavam melhores salários e condições de trabalho para os profissionais.

Na segunda-feira (6), o movimento foi considerado ilegal pela Justiça do Espírito Santo porque ele caracteriza uma tentativa de greve, o que é proibido pela Constituição para militares. As associações que representam os policiais deverão pagar multa de R$ 100 mil por dia pelo descumprimento da lei.

Ao longo de todo o movimento, a ACS-ES (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo) afirmou não ter relação com o movimento. Segundo a associação, os policiais capixabas estão há sete anos sem aumento real, e há três anos não se repõe no salário a perda pela inflação.

A Sesp-ES (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo) contesta as informações passadas pela associação. Segundo a pasta, o governo do Espírito Santo concedeu um reajuste de 38,85% nos últimos 7 anos a todos os militares e a folha de pagamento da corporação teve um acréscimo de 46% nos últimos 5 anos.
 

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