Familiares de PMs no ES abrem mão de reajuste: "está nas mãos do governador"

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Moradores tiram fotos com os militares que estão trabalhando na segurança da orla da praia de Camburi, em Vitória (ES)

    Moradores tiram fotos com os militares que estão trabalhando na segurança da orla da praia de Camburi, em Vitória (ES)

Em reunião nesta segunda-feira (13), os familiares dos policiais militares do Espírito Santo e as associações que representam a categoria decidiram desistir do pedido de aumento de 43% e ofereceram encerrar a paralisação, iniciada no sábado (4), em troca da anistia dos militares e de garantias do governo de que o reajuste continuaria sendo negociado. O governo do Estado, no entanto, rejeitou a proposta.

A nova oferta, de acordo com o cabo Thiago Bicalho, diretor social ACS (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar), foi encaminhada ao governo no fim da tarde desta segunda. "Está nas mãos do governo acabar com a greve", afirmou Bicalho.

Inicialmente, os familiares dos policiais e os militares que participam do movimento pediam reajuste salarial de 43% o que, segundo eles, equivale as perdas sofridas pelos últimos anos em que a categoria não obteve nenhum reajuste. O governo, no entanto, se recusou a negociar o aumento.

No texto, dirigido ao governador Paulo Hartung, o movimento diz reconhecer "as condições econômicas limitadas do governo estadual" e a crise nacional e promete desobstruir todas as entradas dos batalhões já às 0h desta terça (14) caso as condições sejam atendidas.

Entre os pedidos do movimento estão "a garantia de não-abertura de procedimentos administrativos disciplinares militares para os supostos policiais que possam ter praticado atos associados a manifestação envolvendo o movimento" e "a garantia de não-abertura de eventuais Inquéritos Policiais Militares ou desistência, caso alguma portaria já tenha sido instaurada".

Na quinta-feira (13), a Secretaria de Segurança informou que ao menos 703 policiais militares do Estado foram indiciados por crime militar e tiveram os pontos cortados.

O movimento pede ainda que seja mantido um canal de diálogo para a negociação de um reajuste de acordo com as possibilidades financeiras do Estado.

Mais tarde, porém, o governo do Estado rejeitou o acordo com os PMs. Os membros da Comissão Permanente de Negociação alegaram que a anistia solicitada aos policiais envolvidos na paralisação seria ilegal e afirmou que os pedidos como auxílio-alimentação e compra de novo fardamento teriam grande impacto financeiro para a economia do Espírito Santo.

Os números da paralisação

Desde o início da paralisação dos policiais, no dia 4, quando familiares de PMs passaram a bloquear a entrada e a saída dos batalhões, mais de 140 homicídios foram registrados no Espírito Santo, segundo números não oficiais, do Sindipol-ES (Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo). Apenas na última segunda-feira, foram 40 mortes, ainda de acordo com o sindicato.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 1.192 PMs atenderam ao chamado operacional e foram trabalhar na manhã de hoje, 317 a mais do que foi registrado no mesmo período no domingo. Esse número representa cerca de 12% dos 10 mil policiais que integram o efetivo da Polícia Militar capixaba.

Além dos 1,1 mil PMs, a segurança no Estado é feita também por cerca de 3 mil militares e agentes da Força Nacional de Segurança, que estão em território capixaba desde o início da semana passada, quando o motim de policiais agravou a falta de segurança no Espírito Santo.

Nesta segunda, os capixabas tentam voltar à rotina. Além dos ônibus, as escolas e repartições públicas também retomaram as atividades.

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