Com palitos de picolé, detentos no Piauí fazem réplica de pistola

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Divulgação/Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí

    A pistola estava escondida em uma sacola dentro de uma cela com oito detentos

    A pistola estava escondida em uma sacola dentro de uma cela com oito detentos

Palitos de madeira para fazer picolé deram forma à réplica de uma pistola .40, com direito a carregador de munição e detalhes minuciosos. O simulacro de arma estava em fase de pintura para ser usado por presos da Penitenciária Estadual de Esperantina (PI), mas a réplica foi apreendida durante revista nas celas do presídio, na segunda-feira (13), depois da fuga de 11 detentos registrada no fim de semana.

Segundo o Sinpoljuspi (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí), após a fuga dos presos ocorrida por um túnel, agentes penitenciários fizeram a contenção dos internos e realizaram revistas no domingo (12) e na segunda, quando encontraram a arma de madeira. 

Durante a vistoria nas celas, os agentes descobriram uma carta solicitando a confecção de uma arma com palitos de picolé aos presos que fazem artesanato e intensificaram a procura para tentar encontrar o objeto.

A mensagem da carta não contém nomes dos presos que encomendaram o material e nem de quem o confeccionou.

A pistola estava escondida em uma sacola dentro da cela 9, do pavilhão C, onde oito presos estão custodiados. Segundo a direção do presídio, nenhum dos detentos admitiu a quem pertencia o material e todos eles serão responsabilizados legalmente pela arma artesanal.

A Sejus (Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania do Piauí) informou que os presos responsáveis pela confecção da pistola de madeira foram identificados e "está adotando as medidas necessárias sobre o caso", sem especificá-las.

"Nenhum dos presos se acusou como dono ou artesão que fez o simulacro de arma. Os presos sabem do que se trata e para que iria servir, por isso eles não abrem o jogo", explicou o presidente do Sinpoljuspi, José Roberto Pereira.

"Ela é tão perfeita e estava pronta para ser pintada. Quando estivesse finalizada, facilmente seria confundida com uma arma de verdade. Acreditamos que, no momento oportuno, os presos que arquitetaram confecção dessa arma de madeira estariam organizando uma fuga e iriam render algum servidor pra soltar o restante dos presos", explicou o vice-presidente do Sinpoljuspi, Kleiton Holanda.

Artesanato

Os palitos de picolé são um dos materiais autorizados pela Sejus para os presos ocuparem o tempo do cumprimento da pena na confecção de objetos de decoração. Mas, na penitenciária de Esperantina, segundo o Sinpoljuspi, não existe um local específico para presos artesãos fazerem seus trabalhos sob monitoramento de agentes penitenciários.

Os presos que fazem artesanato ou prestam serviços dentro de unidades prisionais têm um dia de remissão a cada três trabalhados.

Superlotação

A penitenciária de Esperantina tem capacidade 140 internos, mas está superlotada, com 400 presos. Segundo o Sinpoljuspi, cerca de quatro agentes penitenciários trabalham na unidade prisional por plantão.

De acordo com a resolução 11/2010 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, é recomendada a presença de um agente penitenciário a cada grupo de cinco presos.

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