Polícia Civil vai ouvir mãe e avó de criança baleada em favela de São Paulo

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Gilson e a filha, Ana Victoria: "milagre" salvou a criança

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A Polícia Civil de São Paulo começa a ouvir nesta sexta-feira (10) familiares da pequena Ana Victoria Rodrigues Silva, de seis anos, que foi baleada no último dia 1º enquanto brincava em frente à casa onde mora com a mãe e avó em uma favela da Vila Prudente (zona leste).

De manhã, serão ouvidas a avó da criança, que prestou a ela o primeiro socorro, e a mãe, Edvania Martins Rodrigues, 30.

Ana Victoria foi atingida por um disparo de arma de fogo pelas costas e segue internada no Hospital Municipal do Tatuapé, também na região leste, já que o projétil ficou alojado na axila. À avó e a uma psicóloga do hospital, Ana Victoria afirmou ter visto apenas os policiais correndo logo depois de ter sido atingida.

O caso é investigado pelo 56º DP (Distrito Policial), na Vila Alpina, onde as armas dos dois PMs foram recolhidas para perícia. Os policiais foram submetidos a exame residuográfico que poderá ou não detectar vestígios de pólvoras nas mãos. Já as armas passam por análise de recenticidade de disparos e, caso a bala seja extraída da menina, também por confronto balístico.

"Estamos em diligências para localizar testemunhas e eventuais imagens que ajudem a esclarecer os fatos; esperamos também os laudos da Polícia Científica. Mas entendo que a bala facilita bem a perícia –ela é fundamental", afirmou o delegado Alexandre Navajas Madio que chefia o inquérito.

Em uma primeira declaração no DP, não formal, os policiais informaram que perseguiam um homem que, ao avistá-los se aproximando, teria fugido. Em seguida, esse suspeito teria disparado –e a bala, ao ricochetear, atingiu a menina. O homem não foi preso.

"Se houver a possibilidade de perícia da bala, isso será fundamental para elucidar de onde partiu o tiro", completou o delegado. A previsão dele é que "até o começo da semana que vem" os dois policiais sejam ouvidos.

Projétil não define, sozinho, autoria, diz professor e ex-delegado

A análise do projétil, entretanto, não é fator decisivo para elucidar, por si, a autoria do disparo. A afirmação foi dada ao UOL semana passada pelo doutor e professor da área de criminologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e diretor do IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), Edson Luís Baldan, que delegado de polícia por 25 anos.

De acordo com Baldan, o exame de balística, apesar de "levar a uma convicção plena sobre a identidade da arma" de onde partiu o projétil --coletado da vítima ou das imediações onde ela estava--, não é o único dispositivo previsto no Código de Processo Penal para instruir as investigações do inquérito policial.

"A prova mais certa que leva a uma convicção plena sobre a identidade da arma é o exame de balística, pois ele permite o confronto microscópico entre o projétil da vítima, ou das imediações dela, e a arma apreendida. Seria uma espécie de prova irrefutável, do tipo prova ideal", afirmou. "Mas o Código de Processo Penal prevê que, na impossibilidade de realizar esse exame, isso possa ser suprido pela prova testemunhal ou, por exemplo, por algum registro audiovisual --a falta da balística não inviabiliza a apuração dos fatos", explicou.

Criança gravou vídeo com o pai

A mãe da criança afirmou que ela toma antibióticos para auxiliar o organismo a mover a bala da região muscular onde está alojada. A partir disso, disse Edvania, é possível que a filha seja submetida a cirurgia de extração do projétil dentro de 30 a 40 dias. "Só quero ver minha filha bem, é minha única preocupação agora", disse.
No fim de semana, o pai de Ana Vitoria, Gilson Alves da Silva, 27, gravou um vídeo com a filha agradecendo o apoio e a solidariedade à condição da criança.

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