Homem que matou criança indígena de 2 anos é condenado em SC

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

  • Daniel Caron/FAS

    Em ato realizado em 2016, crianças seguram cartazes contra racismo durante evento na Casa de Passagem Indígena, em Curitiba, por conta da morte do menino indígena Vitor

    Em ato realizado em 2016, crianças seguram cartazes contra racismo durante evento na Casa de Passagem Indígena, em Curitiba, por conta da morte do menino indígena Vitor

Réu confesso do assassinato de uma criança indígena de dois anos em Santa Catarina, Matheus de Ávila Silveira, 25, foi condenado a 19 anos, cinco meses e dez dias de prisão em regime fechado na noite desta terça-feira (14).

Em dezembro de 2015, a indígena Kaingang Sônia Pinto estava com seu filho Vitor em frente à rodoviária de Imbituba, cidade portuária ao sul de Santa Catarina, vendendo artesanatos quando Silveira atacou a criança.

Ele fez um carinho no menino e, quando a criança levantou o rosto, degolou-a com um estilete. Vitor morreu no local.

Silveirafoi preso no dia seguinte e confessou o crime. Após quase um ano internado em um hospital psiquiátrico, ele ouviu o veredicto do júri popular da voz da juíza Taynara Goessel por voltas das 19h, na Câmara Municipal de Imbituba.

Todas as qualificadoras do crime --motivo torpe, incapacidade de defesa da vítima e o fato da família ser indígena e não integrada à sociedade-- foram aceitas, aumentando em mais um terço a pena.

Sônia, ao lado do marido Arcelino, disse que ficou satisfeita com o resultado. "Era o que meu povo esperava", afirmou. Eles vivem na aldeia Condá, em Chapecó, no oeste do Estado.

Durante todo o julgamento Sônia carregou uma camisetinha de Vitor. Única lembrança física que sobrou, já que o menino ainda não tinha tirado nenhuma foto.

O advogado de Silveira, Guilherme da Silva Araújo, diz acreditar que a condenação foi uma vingança da sociedade. Segundo ele, Matheus tem distúrbios mentais e precisa ser tratado.

Ele foi diagnosticado, segundo a defesa, com transtorno de personalidade borderline, síndrome que causa desvios de comportamento e humor.

O advogado declarou que irá recorrer na tentativa de diminuir a pena. A estratégia é derrubar a qualificadora que a família não é integrada socialmente.

O delegado responsável pelo inquérito, Rafael Giordani, descreveu Silveira como "frio e debochado". Agentes prisionais de Imbituba contaram que ele arrancou a própria pele enquanto esteve detido e que é nervoso.

A autoflagelação também ocorreu na delegacia de polícia, onde ele tentou suicídio por asfixia engolindo a espuma do colchão.

Segundo Giordani, durante a investigação, Silveira contou ter matado a criança por orientação de uma entidade espiritual. "Ele explicou que a determinação da entidade foi que crime deveria comover as pessoas, ter grande repercussão e por isso, escolheu o bebê. Em troca, o assassinato abriria os caminhos e ele alcançaria sucesso e destaque profissional."

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