Polícia investiga caso de agressão durante corrida da Uber em São Paulo

Daniela Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Mulher mostra os hematomas de uma suposta agressão cometida por motorista da Uber

    Mulher mostra os hematomas de uma suposta agressão cometida por motorista da Uber

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar um caso de agressão durante uma corrida da Uber em São Paulo. Tanto motorista como passageira registraram boletins de ocorrência se dizendo vítimas de ataque corporal. O aplicativo de transporte privado suspendeu o funcionário, enquanto não há uma resolução do caso.

Na manhã do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, Renata*, 32, solicitou os serviços da Uber como de costume para ir à faculdade de Medicina. Cláudio*, 45, foi o motorista designado para atendê-la. Horas depois do início da corrida, ambos foram a diferentes delegacias para acusar um ao outro de agressão. 

O caso está sendo investigado pela 6ª Delegacia de Defesa da Mulher na região de Santo Amaro (zona sul). O UOL solicitou uma entrevista com a delegada responsável, mas a SSP (Secretaria de Segurança Pública) negou o pedido. 
 
O conflito entre Renata e Cláudio aconteceu na região da Cidade Dutra (zona sul) por volta das 9h. Ambos disseram ao UOL que houve desentendimento entre eles desde o início da corrida, principalmente, por causa do trajeto.
 
Renata diz que utilizava o serviço da Uber diariamente nos últimos dois anos para ir até a faculdade. Como tinha conhecimento do caminho, ela preferia indicar a direção ao motorista, em vez de adotar o trajeto apontado pelo sistema de GPS. Cláudio, no entanto, não gostou da abordagem da estudante e relatou à polícia que Renata estava "alterada". "Ficou um clima chato, não achei ele cordial como os outros", diz a estudante.
 
Arquivo pessoal
Além do joelho, ela ficou com escoriações nas costas, glúteos, braço e tórax
 
A situação ficou mais tensa na chegada ao destino final apontado pelo mapa do aplicativo. Renata diz ter pedido ao motorista que dirigisse poucos metros a mais para que pudesse descer em frente à faculdade e ele teria negado. Cláudio afirma que Renata teria gritado com ele, além de dizer que não sairia do carro.
 
A estudante de medicina diz que começou a ser agredida fisicamente quando o motorista tentou tirá-la à força do carro. "Eu não encostei nela", defende-se Cláudio. 
 
Em discussão com o motorista dentro do carro, Renata teria anunciado que iria chamar a polícia. "Ele ficou nervoso quando eu falei isso", lembra. Cláudio, porém, não relatou o episódio. A forma como ela saiu do veículo também é alvo de controvérsia. A estudante assume que bateu com força a porta do carro, enquanto ele diz que Renata chutou a porta traseira do lado direito. 
 
A estudante afirma que saiu do carro decidida a falar com a polícia. Começou a caminhar em direção à faculdade, quando foi surpreendida por um ataque de Cláudio. "Ele veio atrás de mim. Puxou meu cabelo, jogou meu celular no chão", detalha. Renata diz ter sido atingida por socos, chutes, além de ser atirada contra o asfalto. 
 
"Eu não enxergava nada [o que estava acontecendo]. Até que eu ouvi uma voz falando 'para com isso'", conta. Ela lembra que pessoas que estavam na região conseguiram segurar Cláudio e a socorreram.
 
Arquivo pessoal
Mulher de 32 anos diz ter sido agredida por motorista da Uber durante corrida
O motorista conta outra versão sobre o confronto fora do carro. Ele assume ter ido atrás de Renata, após ela ter chutado a porta do veículo. Cláudio afirmou à polícia ter sido alvo de "uma bolsada" da estudante e depois ter sido jogado por ela contra o chão. "Ela rasgou minha camisa por inteiro. Até que populares vieram e eu consegui me livrar dela. Aquela menina já deve ter feito alguma aula de defesa pessoal", comenta.
 

Reclamação contra a Uber

Após se recuperar da suposta agressão, Renata notificou o fato para a Uber por meio do aplicativo. "Primeiro, uma mulher me ligou para dizer que o motorista não ficaria no aplicativo. Uma segunda mulher da Uber ligou, mas não me orientou nada. Não explicou o que eu tinha que fazer, como ir à polícia, ao hospital. Eu não gostei da posição da Uber. Eles deveriam querer saber como eu estava."
 
A estudante solicitou as informações do motorista para prestar o boletim de ocorrência. A empresa, porém, se negou a fornecer dados como nome completo e placa do carro, conforme troca de e-mails obtida pelo UOL. "Eles alegaram que tem uma lei da internet que não permite passar os dados". Ela diz ainda que não conseguiu um telefone direto da empresa. "Eles só me responderam pelas mensagens do aplicativo".
 
Cláudio também reclamou da Uber. Ele afirma ter ido ao endereço da empresa, assim que saiu do local da agressão. "Eu fui até a Uber na Barra Funda, me atenderam, mas depois não passaram nada nem um e-mail. Só bloquearam o aplicativo", conta Cláudio, que diz que trabalhava como motorista da rede havia 20 dias e está suspenso desde o dia 8. 
 
A Uber foi procurada pelo UOL para tratar sobre a resolução do caso. A empresa, por meio de nota, afirmou que o motorista ficará suspenso até o fim das investigações. "A Uber sempre colabora com as autoridades, nos termos da lei", acrescentou. A rede não comentou sobre o atendimento dado à passageira.
 

Ela e ele fizeram B.O.

Após receber atendimento médico em um posto de saúde, Renata registrou o boletim de ocorrência às 17h32 em 8 de março na 6ª Delegacia de Defesa da Mulher. 
 
No mesmo dia, Cláudio também passou antes em um pronto-atendimento para apresentar um laudo médio à polícia. Notificou a agressão à 80ª Delegacia de Polícia da Vila Joaniza (zona sul) às 19h04.
 
A passageira e o motorista afirmam terem feito exame de corpo de delito no dia 9, a pedido da Polícia Civil.
 
Procurada pela UOL, a SSP se limitou a informar que o caso está sendo investigado na 6ª Delegacia de Defesa da Mulher. Não informou como está o andamento das investigações e também não permitiu que a delegada responsável pudesse conceder entrevista. 
 
* Foram usados nomes fictícios, a pedido dos entrevistados
 

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