Suspeitos de pertencerem a quadrilhas que decapitaram 23 são presos no RS

Flávio Ilha

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/Polícia RS

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu na manhã desta quarta-feira (22) 18 pessoas suspeitas de pertencerem a duas quadrilhas especializadas em homicídios e decapitações. Os bandos, vinculados a grupos de traficantes que atuam na zona norte de Porto Alegre, são acusados por 23 assassinatos cruéis desde 2016 – a maioria com decapitação ou esquartejamento das vítimas. Sete dessas mortes foram registradas nos primeiros três meses de 2017.

Na ação, a Polícia achou uma motosserra usada pelos criminosos, armas, grandes quantidades de drogas e um viveiro com pés de maconha.

Denominada Operação Imortal, a ação cumpriu 95 mandados judiciais em 300 residências – 25 de prisão preventiva – e envolveu mais de 700 agentes nos bairros Mario Quintana e Rubem Berta.

Durante a investigação, que começou há mais de um ano, outros 14 suspeitos já haviam sido presos. As quadrilhas disputam território na região norte, com reflexos em cidades da região metropolitana que fazem divisa com Porto Alegre.

"O número de execuções desse tipo se acentuou muito desde o ano passado, o que resultou num recrudescimento da violência", disse o delegado Mario Souza, diretor do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc).

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, a polícia identificou uma casa que servia de bunker a uma das quadrilhas. Localizada no alto de uma colina, tinha uma vista privilegiada da área em disputa e também vigias no muro para observação ou disparos com arma de fogo. Segundo Souza, a casa provavelmente foi tomada de seus moradores pelos traficantes.

O chefe de polícia do Estado, Émerson Wendt, informou que a operação só foi possível a partir da transferência, no dia 21, do líder de uma das facções a um presídio federal, a pedido da Secretaria de Segurança. "Essa liderança foi presa no Paraguai e depois expulsa de lá. Todos os homicídios passavam por ele", afirmou.

A ação, coordenada pelo Denarc, coletou provas das mortes em postagens pelas redes sociais e por aplicativos de celular. As imagens das vítimas eram compartilhadas entre os criminosos. Além disso, havia troca de ameaças e anúncios de novas mortes entre as facções rivais.

Também foram interceptadas imagens gravadas em vídeo. Em uma delas, um integrante de uma facção é torturado pelos rivais e, antes de ser assassinado, foi obrigado a dizer aos comparsas que seu bando iria ser derrotado.

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