IML encerra nova necropsia em corpo de garoto que morreu em frente ao Habib's

Do UOL, em São Paulo

  • Marcelo Gonçalves/SigmaPress/Estadão Conteúdo

    Caixão com o corpo de João Victor foi retirado de jazigo no cemitério Nova Cachoeirinha

    Caixão com o corpo de João Victor foi retirado de jazigo no cemitério Nova Cachoeirinha

Após pouco mais de cinco horas, foi encerrada a necropsia realizada pelo IML (Instituto Médico Legal) no corpo de João Victor Souza de Carvalho, 13. O garoto morreu em 26 de fevereiro em frente à unidade do Habib's na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo.

A expectativa dos peritos contratados pela defesa da família da vítima é que o novo laudo seja conhecido em um período entre 20 e 30 dias.

O primeiro laudo, divulgado no início do mês passado, apontou que João Victor havia consumido drogas e sofrido uma arritmia cardíaca. Segundo o exame, o garoto também apresentava escoriações, mas não havia sinais de fratura, trauma ou edema.

Nós queremos um novo parecer, diz familiar do garoto

Imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos próximos mostraram João Victor sendo arrastado por funcionários do Habib's. Uma testemunha diz que o garoto foi agredido por um homem que vestia o uniforme da empresa. Já a rede de lanchonetes aponta que o adolescente foi repreendido e teve um mau súbito logo depois.

A família não concordou com o primeiro laudo. Quase um mês depois do episódio, a Justiça determinou, em 22 de março, que um novo procedimento fosse realizado, o que aconteceu nesta segunda-feira (3).

O corpo de João Victor foi exumado no cemitério Nova Cachoeirinha por volta das 7h30. Os procedimentos no IML, que foram iniciados após as 8h15, envolveram uma tomografia de corpo inteiro, um novo exame necroscópico, coleta de amostras para exame anatomopatológico, além de coleta de DNA.

O médico-legista Levi Miranda, que é contratado pela família do garoto, ainda acredita que haja ligação entre a perseguição e a arritmia cardíaca, que teria causado a morte de João Victor.

Como o corpo encontrava-se em estado de putrefação, não foi possível encontrar lesões contundentes, explicou Miranda. Para essa análise, será necessário utilizar as informações que vierem do novo laudo. "Embora não haja estigma de violência, acredito no nexo de casualidade", disse o médico-legista. 

Fitas e reconstituição

Além da nova necropsia, a defesa da família do garoto quer ter acesso às fitas do circuito interno do Habib's --apreendidas no último dia 29 de março-- e pede a realização da reconstituição do episódio, o que ainda não tem prazo para acontecer. "O inquérito, que já estava fechado, está, na verdade, começando agora", disse Francisco Carlos da Silva, advogado da família do adolescente ao UOL.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo diz que "a Superintendência da Polícia Técnico-Científica [responsável pelo IML] criou uma comissão para realizar a exumação do corpo de João Victor".

A comissão é composta por dois médicos legistas, dois auxiliares de necropsia, o diretor de radiologia e a diretora de anatomia patológica. "Além dos peritos, o exame é realizado na presença de dois assistentes técnicos, que representam a família de João Victor e o Habib's", aponta a SSP. Pela rede de lanchonetes, esteve presente o médico-legisla Daniel Munhoz.

Em pronunciamento oficial, o Habib's diz respeitar a decisão judicial. "E reafirma que segue à disposição das autoridades e colaborando com as investigações em curso", diz a nota.

*Colaborou Nathan Lopes, em São Paulo

Unidade do Habib's foi alvo de protesto após divulgação de vídeo

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