Curitiba tem onda de assaltos contra lojas de smartphones; shoppings também são alvo

Rafael Moro Martins

Colaboração para o UOL, em Curitiba

  • iStock

Uma onda de assaltos a lojas que vendem smartphones e tablets em Curitiba, inclusive em shopping centers, levou o secretário da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, a anunciar nesta terça-feira (4) uma reunião com comerciantes, centros comerciais e "área de segurança do setor de telecomunicações", marcada para a próxima segunda (10).

Em uma semana, foram cinco ocorrências do tipo. Apenas desde a última sexta-feira (31), houve três assaltos em shopping centers. Dois deles tiveram como alvo a mesma loja, da rede Fast Shop, no shopping Crystal, localizado no Batel, bairro nobre da capital.

A loja foi alvo de ladrões na sexta passada e novamente nesta terça. Segundo a assessoria de imprensa do centro comercial, as imagens do sistema de câmeras de segurança sugerem que os roubos foram cometidos pelas mesmas pessoas --três homens que aparentam ter entre 20 e 30 anos, armados, vestidos de forma a não chamar atenção dentro do shopping.

A loja ainda estava fazendo inventário do que fora roubado na semana passada. A polícia militar foi chamada, procurou por suspeitos no shopping e em locais próximos, mas ninguém foi preso. Os ladrões fugiram de carro. Nos dois roubos, não houve violência contra funcionários da loja ou clientes.

No sábado (1) à noite, uma loja a2you --que pertence à Fast Shop e é especializada em produtos Apple-- foi assaltada no shopping Mueller, no centro de Curitiba. Os autores do crime --três homens armados, segundo a polícia-- fugiram a pé, levando smartphones e tablets.

A mesma loja já fora assaltada em 26 de janeiro. Os quatro autores do roubo levaram, então, o equivalente a R$ 100 mil em produtos. Em fins de fevereiro, a polícia anunciou a prisão de um jovem de 18 anos e a apreensão de um menor de 16, ambos apontados como suspeitos de envolvimento no assalto.

Os roubos também vêm ocorrendo em hipermercados. Na madrugada desta terça (4), um hipermercado Extra foi arrombado no Tarumã, bairro de classe média da região oeste. O alvo, novamente, eram os smartphones --cerca de 60 foram levados, informou a PM à imprensa local.

Na quarta-feira passada (29), uma loja de celulares que funciona anexa a um supermercado no Água Verde, bairro de classe média alta da região central, fora alvo de um assalto. O prejuízo foi estimado pela polícia em R$ 40 mil.

Polícia mira receptadores

"É uma onda, como no ano passado foram os assaltos a farmácias", afirmou o delegado-adjunto da delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, Emannoel David. "Esses aparelhos têm alto valor agregado, e mesmo assim ficam em locais sem a segurança que se encontra numa joalheria ou banco", criticou.

Segundo o delegado, parte dos aparelhos --principalmente os da Apple-- normalmente é desmontada para a venda de peças. Os que chegam inteiros ao mercado são rastreados com alguma facilidade.

"É possível detectar o telefone pelo número do Imei [número de série, único de cada aparelho, que é usado quando se contrata uma linha telefônica]. Já trouxemos mais de dez receptadores [para a delegacia] a partir de informações que nos são repassadas pelas lojas e pelas empresas telefônicas", explicou.

Receptação --ou seja, comprar produto de roubo-- é crime, que pode ser punido até com prisão de um a quatro anos. "Em sites de vendas, há aparelhos iPhone 7 à venda por R$ 1 mil. O comprador tem que desconfiar que algo está errado", disse o policial --o preço normal do smartphone ultrapassa os R$ 3 mil.

Quem for identificado como dono de um dos aparelhos roubados será levado à delegacia, falou David. "Os receptadores são presos e têm de pagar fiança, normalmente fixada no valor do aparelho. Além da pena prevista na lei, [o suspeito de receptação] deixa de ser réu primário e responderá a processo criminal."

Procurada pelo UOL, a Fast Shop respondeu que está "colaborando com as investigações" e que não passaria mais informações à imprensa.

O Grupo Pão de Açúcar, proprietário do Extra, disse que "não houve feridos, e o hipermercado está contribuindo com as autoridades competentes para esclarecimento dos fatos". Falou, ainda, que existem "medidas de segurança para evitar a ocorrência de delitos em suas lojas, como câmeras de vigilância e equipe treinada para acionar as autoridades competentes mediante qualquer atitude suspeita".

Em nota, o shopping Mueller afirmou que têm seguranças para "manter a integridade física de colaboradores e clientes", disse que "está em contato com a polícia civil para o acompanhamento do caso e que lamenta o ocorrido". A assessoria do shopping Crystal prestou informações à reportagem, mas disse que a administração do centro comercial não comentaria os assaltos.

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