Casal instala geladeira comunitária na rua para dar comida a quem precisa

Thiago Varella

Colaboração para o UOL, em Valinhos (SP)

  • Thiago Varella / UOL

    Iniciativa do empresário Kleber Bömer (foto) e sua mulher, Elenice: 'missão divina'

    Iniciativa do empresário Kleber Bömer (foto) e sua mulher, Elenice: 'missão divina'

Um casal de empresários de Valinhos, a 85 quilômetros de São Paulo, instalou uma geladeira comunitária em uma avenida da cidade. A ideia é oferecer comida de graça para quem estiver passando por dificuldades, além de incentivar quem puder a doar mantimentos.

A geladeira foi instalada no final de março (31) na avenida Invernada, 1.713, no bairro Nova Itália, em Valinhos (SP). A iniciativa é do empresário Kleber Bömer e sua mulher, Elenice. O eletrodoméstico fica no estacionamento da empresa que Bömer administra há 24 anos, que aluga máquinas para construção civil.

A qualquer momento do dia ou da noite, quem quiser pode pegar ou doar comida e bebidas. Existem algumas regras. Os alimentos devem estar dentro do prazo de validade, a embalagem deve estar intacta e não podem ser doados ovos, carne crua nem bebidas alcoólicas.

Thiago Varella/UOL
Regras: dentro da validade, embalagem intacta e sem carne crua nem álcool

"Uma funcionária organiza a geladeira e se certifica de que todo alimento esteja na validade. É ela quem tira as frutas passadas, por exemplo", disse o empresário Kleber Bömer, que, ao lado da mulher Elenice, teve a ideia da geladeira comunitária. "Para evitar vandalismo ou mau uso, também instalei uma câmera de segurança e prendi um cadeado."

Iniciativa semelhante em Araraquara (SP)

O casal é extremamente religioso e encara o projeto da geladeira comunitária como uma "missão divina". A ideia surgiu em um grupo de WhatsApp da Igreja Batista que frequentam. Uma fiel postou uma imagem de uma iniciativa parecida que foi implantada em Araraquara (SP). Bömer conversou com a mulher e resolveram instalar a geladeira em Valinhos (SP).

"Tenho um amigo que vende geladeiras. Perguntei para ele o preço de uma e expliquei o projeto. Ele me disse que tinha um freezer usado e me doou. Reformei, adesivei e estou utilizando", disse Bömer.

A geladeira já recebeu a visita de funcionários da Vigilância Sanitária da cidade, que aprovaram o projeto e deram orientações. 

Quer mais uma geladeira na cidade

O local não fica muito perto do centro da cidade. Por isso, o casal afirma que deseja que outra geladeira seja colocada em um lugar de mais movimento.

Segundo Bömer, uma pessoa já se interessou em colocar uma nova geladeira em uma região mais movimentada de Valinhos. 

Quando o brasileiro percebe o comprometimento de um projeto, ele ajuda. Ontem mesmo, veio aqui um homem que ficou sabendo da geladeira pelo Facebook. Ele veio de um bairro que fica bem longe, mas, mesmo assim, quis colaborar.

Kleber Bömer, empresário e autor da iniciativa

Em uma semana de iniciativa, ele diz que se surpreendeu com a solidariedade da população. Para o empresário, a divulgação que vem sendo feita de seu projeto na imprensa e nas redes sociais pode inspirar pessoas em todo o país. 

Uma doa, a outra recebe

No momento em que a reportagem do UOL visitava o local, uma senhora apareceu para fazer sua doação. Lurdes Castelani deixou um saco de feijão e disse que pretende voltar mais vezes. Segundo ela, que é aposentada, "é duro precisar de ajuda".

Thiago Varella/UOL
A aposentada Lurdes Castelani deixa sua doação

A crise está apertando muito a população. A comida está cara. O Brasil produz tanto e, mesmo assim, ainda tem gente que passa fome. Por isso, quis ajudar.

Lurdes Castelani, aposentada, doou um saco de feijão

A reportagem também flagrou uma mulher que foi buscar alimentos. Iraí Rosa Batista recolhe produtos reciclados pelas ruas para sobreviver. Ela passava pela avenida onde fica a geladeira, quando outra pessoa contou que "tinha um lugar que estava dando comida".

A mulher disse que seu marido está preso e que ela tem de se virar para alimentar seus seis filhos. Acabou pegando arroz, feijão, macarrão, açúcar e o que mais conseguiu agarrar.

Thiago Varella/UOL
Iraí Batista: marido preso e seis filhos para alimentar

Segundo Bömer, por conta da vergonha, muitos deixam para pegar alimentos da geladeira durante a noite, quando a empresa já está com as portas fechadas. "É a crise. As pessoas não pedem mais dinheiro, mas sim alimentos. Precisamos prover o básico para elas", disse o empresário.

Ex-diarista 'peita' tráfico e alimenta 230 crianças por dia em favela

  •  

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos