Com salários atrasados e possibilidade de greve, Uerj retoma aulas após 3 meses de paralisação

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Bruna Prado/UOL

    Uerj suspendeu as atividades em janeiro por conta dos problemas causados pela crise financeira do Estado

    Uerj suspendeu as atividades em janeiro por conta dos problemas causados pela crise financeira do Estado

A Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) marcou para esta segunda-feira (10) a retomada das aulas após quase três meses de paralisação em razão da crise financeira no Estado. A decisão da reitoria, anunciada na última sexta-feira (7), é contrária ao posicionamento de professores e funcionários da instituição, que estão com três meses de salários atrasados.

Segundo a Asduerj (Associação de Docentes da Uerj), foi marcada uma assembleia para decidir se o reinício das atividades será ou não contestado. A pauta do encontro inclui a possibilidade de um indicativo de greve. "Agendamos essa assembleia para 14h e podemos, sim, votar um indicativo de greve. Está na pauta. Tudo depende do que será discutido", explicou o vice-presidente da Asduerj, Paulo Alentejano.

Por conta do impasse, é provável que nenhuma aula ocorra nesta segunda, segundo afirmou Alentejano. Procurada pelo UOL, a Uerj não soube informar se as salas de aula estavam em funcionamento nesta manhã.

O representante da Asduerj afirmou que a Reitoria também era contrária ao recomeço das atividades, mas que acabou mudando de opinião após a última reunião do Fórum de Diretores. Dos problemas causados pela crise financeira no Rio, apenas a questão da limpeza foi resolvida, afirmou Alentejano.

"Só resolveram a questão da limpeza e da manutenção, mas isso não garante as condições necessárias para retomada das aulas. Professores e funcionários continuam sem receber salários. O 13º salário ainda não foi pago, assim como os meses de fevereiro e março. (...) Não entendemos porque a Reitoria mudou de posição", disse ele.

A Uerj informou que a Reitoria também fará uma reunião hoje para debater o retorno de alunos, professores e funcionários à rotina universitária. Após esse encontro, a instituição deve se posicionar sobre a atual situação da Uerj.

Na sexta passada (7), a direção da Uerj informou, em nota, que a mudança de postura se justificaria pelo avanço no restabelecimento das condições mínimas de limpeza, manutenção de elevadores e segurança e pela "preocupação com o enorme prejuízo que os sucessivos adiamentos vêm impondo aos estudantes". Desde janeiro, as aulas foram adiadas cinco vezes em razão da falta de condições.

Procurada pelo UOL, a Secretaria de Estado de Fazenda reconhecer ainda não ter pago o décimo terceiro e os meses de fevereiro e março. De acordo com a pasta, em relação a fevereiro, o calendário de pagamento deve ser divulgado nesta semana.

"As recentes decisões judiciais e do Tesouro Nacional, de arrestos e bloqueios nas contas do Estado, somadas à frustração nas receitas de tributos, inviabilizaram a divulgação do calendário anteriormente", informou a secretaria, em nota. Já para março ainda não há previsão.

Quanto ao décimo terceiro, o governo informou apenas ter pago aposentados e pensionistas com remuneração bruta de até R$ 3.200, que receberam o abono no dia 20 de março. "Os pagamentos para os demais segue sem previsão de depósito."

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