Vereadores discutem na Câmara por causa de camisa de Malcolm X

Demétrio Vecchioli

Colaboração para o UOL

  • Elson Sempé Pedroso/CMPA

    A camiseta da vereadora Karen Santos (PSOL) gerou discussão na Câmara

    A camiseta da vereadora Karen Santos (PSOL) gerou discussão na Câmara

O plenário da Câmara dos Vereadores de Porto Alegre (RS) foi palco, nesta quarta-feira, de um debate de cerca de 20 minutos por causa da vestimenta de uma vereadora ao discursar. Karen Santos (PSOL) foi ao parlatório com uma camiseta branca estampada com a imagem do líder negro Malcolm X e foi criticada por Valter Nagelstein (PMDB), vice-presidente, que naquele momento presidia a mesa.

O debate passa longe de ser novo. Em 2009, o então vereador Nelcir Tessaro (PTB) apresentou uma proposta para obrigar as vereadoras a usar traje social. À época, estava incomodado com o fato as vereadoras Fernanda Melchionna (PSOL) e Sofia Cavedon (PT) utilizarem camisetas no plenário, enquanto o regimento interno diz que "é dever do vereador comparecer às sessões plenárias com traje passeio completo ou pilcha gaúcha".

"Os homens mesmo votaram e aprovaram essas restrições para eles. Não foram as mulheres que aprovaram. Quem tem que decidir o que nós mulheres devemos vestir somos nós", alega Karen Santos. Ela é suplente e assumiu o mandato durante os três dias de licença de Melchionna – de terça até esta quinta-feira.

O discurso de quarta-feira, assim, seria seu único no plenário, e por isso foi "ideológico", segundo Karen, que é professora da rede pública. Ela só não esperava que a questão da vestimenta feminina voltasse à pauta. "Para fazer política não precisaria ter um traje formal. De 2009 até aqui, não mudou nada. Se em 2009 podia, continua podendo agora", argumenta. Ela diz que, em nenhum momento algum funcionário da Câmara alertou que a roupa era imprópria. "Se houvesse restrição, a gente teria sido informado antes", alega.

Ela acredita que Nagelstein, que está em seu terceiro mandato, se incomodou com as críticas feitas aos governos municipal e estadual, ambos apoiados pelo vereador. O vice-presidente da Câmara de Porto Alegre, porém, nega. Ele diz que não interrompeu o discurso da colega e que apenas fez o alerta com relação à vestimenta depois de terminada a fala.

"Se tem um regimento interno que diz que para subir na tribuna deve estar trajado de determinada forma, vale para todos. Eu tenho o entendimento de que constituição diz que todos são iguais perante a lei. E elas mesmas reclamam essa igualdade. Eu gostaria muito de ir com uma camisa do Internacional hoje. A gente ganhou do Corinthians na casa deles. Não me importa a estampa. A regra não permite camiseta", comenta.

Para Nagelstein, a regra regimental é clara, mas está sendo desrespeitada pelas vereadoras. "Se isso não é importante, a gente tira do regimento. Algumas vereadoras, principalmente essas de agenda anarquistas, não querem se adequar às normas, porque acreditam que as regras são frutos da sociedade burguesa. É uma bandeira política deles. Eu tenho uma colega que usa um blazer quando vai à tribuna. Pode estar de camiseta, mas coloca um blazer por cima."

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