Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Alemão: após guerra por torre da PM, construção de guarita pode abreviar trégua

Carolina Farias

Colaboração para o UOL, no Rio

  • AFP PHOTO / Fabio TEIXEIRA

    Favela no Alemão teve ao menos 5 mortos em decorrência de confrontos em abril

    Favela no Alemão teve ao menos 5 mortos em decorrência de confrontos em abril

A construção de uma guarita suspensa blindada pela UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Nova Brasília, no complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, voltou nesta semana a gerar tensão na comunidade. O novo equipamento blindado começa a ser erguido 19 dias depois da instalação de uma torre, também à prova de balas, na praça do Samba. Somente nas últimas duas semanas de instalação da torre, em abril, confrontos de policiais e traficantes deixaram cinco mortos e três PMs feridos.

Moradores dizem que foi construído um muro que fecha um beco da rua Sete de Setembro, na mesma região da praça. A PM alega que a mureta é o início da construção da base da guarita e que não impede a passagem de moradores.
 
Na última terça-feira (16), os moradores flagraram o muro, que tem cerca de 1 metro de altura, e fizeram fotos. A mureta fecha uma das saídas do beco, que dá para para a praça do Samba --o local virou campo de combate entre PMs e traficantes.
 
"Eles [PMs] querem fechar o beco. Eu ouvi deles: 'Vocês estão reclamando do muro, vamos colocar um portão do outro lado'. Ali é o único lugar para se esconder quando tem tiroteio. A PM não comunica nada, só chegou e fez o muro", contou à reportagem do UOL uma moradora que preferiu não se identificar.
Morador do Complexo do Alemão/Arquivo Pessoal
Nesta semana, mureta construída por PMs fechou beco no Alemão. Morador criticou restrição de circulação na favela
 

Estado de sítio, acusa morador

Durante as operações policiais realizadas para viabilizar a instalação da torre, nos meses de março e abril, ao menos seis casas foram ocupadas por PMs para se protegerem nos confrontos. Uma das casas fica no beco.
 
"Eles entraram na casa da minha mãe, ficaram na laje quase dois meses. Vão aumentar [o muro] porque ainda estão mexendo, fazendo obra. Passei por lá ontem [terça-feira]. Para chegar à praça agora tem que dar uma volta. É triste", disse um morador, explicando que há ao menos 20 casas no beco.
 
"É um beco emblemático porque a maior das casas ocupada pelos PMs é de lá. A comunidade já está ocupada, com PM para todo lado e agora fecham um beco? Não dá para entender. É como um estado de sítio", disse Raul Santiago, do coletivo de comunicação Papo Reto, que atua no Alemão.
 
Das seis casas ocupadas, os PMs deixaram ao menos quatro imóveis, após determinação da Justiça, que aceitou pedido da Defensoria Pública. A praça do Samba, o beco e as ruas do seu entorno parecem cenário de guerra, com paredes de casas, muros e comércio com marcas de balas. 
BETINHO CASAS NOVAS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
25.abr.2017 - Construção de torre blindada pela PM desencadeou guerra no Alemão
 

"Área toda furada"

Depois do período de confrontos intensos, os moradores evitam circular na região. A presença maciça da PM também intimida moradores.
 
"Tem muita polícia. Ninguém nem passa lá desde o dia que o Gustavo [Silva] morreu [dia 21 de abril]. O comércio fechou. É um trauma. Em outros lugares a gente circula, ali não, é muito perigoso. É uma área toda furada", afirmou uma moradora em referências às marcas de balas. O morador foi encontrado morto por PMs, ele estaria indo à padaria quando foi atingido.
 
Por meio da assessoria de imprensa, o comando da UPP Nova Brasília informou que planeja a construção da guarita blindada suspensa e que isso não prejudicará a circulação. A corporação não explicou qual a estratégia para instalar um novo equipamento blindado na mesma região da torre.

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