Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Polícia do Rio matou 3 pessoas por dia no ano, alta de 60%

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Em abril, uma grupo de familiares de pessoas mortas pela polícia organizou um protesto em frente ao Ministério Público

    Em abril, uma grupo de familiares de pessoas mortas pela polícia organizou um protesto em frente ao Ministério Público

Ao menos três pessoas foram mortas por dia pela polícia fluminense entre os meses de janeiro e abril, de acordo com dados divulgados pelo ISP (Instituto de Segurança Pública). Nos primeiros 120 dias deste ano, foram verificados 383 homicídios decorrentes supostamente de oposição à intervenção policial, como são registradas as mortes provocadas pela polícia --o número é 59% maior em comparação com o mesmo período do ano passado (241) e equivale a uma morte a cada oito horas.

Em todo o Estado, até o dia 22 de maio, 56 policiais militares foram assassinados --15 em serviço e 41 de folga, de acordo com dados da Polícia Militar. 

A letalidade policial no Estado, mostram os dados do ISP, tem aumentado ano a ano. O número de pessoas mortas pela polícia entre janeiro e abril representa 42% de todo o registrado durante o ano de 2016, quando 920 pessoas foram mortas pela polícia. Em 2015, a polícia fluminense matou 645 pessoas; em 2014, 84.

Isso também se reflete na taxa de mortes por 100 mil habitantes --índice geralmente usado para aferir a criminalidade e comparar crimes em regiões diferentes.

No Rio, essa taxa foi de 5,5 mortes em suposto confronto com a polícia em 2016 contra 3,9 em 2015. Em São Paulo, no ano passado, quando 590 pessoas foram mortas pela polícia, essa taxa ficou em 1,3.

Para a organização Human Rights Watch, que lançou no ano passado o relatório "O Bom Policial Tem Medo: Os Custos da Violência Policial no Rio de Janeiro", os números endossam "o entendimento das autoridades de que execuções extrajudiciais são bastante comuns" no Estado.

"O número de mortos por ação policial é muito maior do que o número de baixas na polícia, fazendo com que seja difícil acreditar que todas estas mortes ocorreram em situações em que a polícia estava sendo atacada", diz o relatório da Human Rights Watch.

Para cada policial assassinado no Rio de Janeiro em 2016, outras 30 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais.

Na semana passada, o Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por não investigar e punir os responsáveis pelas chacinas de "Nova Brasília", no Complexo do Alemão, em 1994 e 1995. A sentença destacou a violência policial como uma violação de direitos humanos no Brasil, em especial no Rio.

A decisão da Corte estabelece medidas para reduzir a violência policial. Entre elas, determina que, em caso de morte, tortura ou violência sexual decorrentes de intervenção policial em que agentes do Estado sejam suspeitos, a investigação seja feita por um órgão independente.

O UOL entrou em contato com a Secretaria de Segurança, que se limitou a repassar os questionamentos para a Polícia Militar. A PM, por sua vez, afirmou em nota que vem "mês a mês perdendo recursos humanos e materiais" e está com a mobilidade e o serviço preventivo comprometidos, tendo como consequência um "maior enfrentamento". "Esses dados refletem um cenário que não depende apenas de nós para ser revertido", afirma a corporação.

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