Violência no Rio

Moradora é baleada na cabeça no Alemão: "Perdeu a vida em lugar que destroça famílias"

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Arquivo Pessoal

Zona do Medo. É assim que é chamado o local onde a auxiliar de serviços gerais Marinete Berto, de 55 anos, foi baleada na cabeça na favela Nova Brasília, Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, na segunda-feira (29). Em apenas uma semana no Rio de Janeiro, ao menos quatro pessoas morreram vítimas de bala perdida.

A favela conta com UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) desde 2012 e, segundo informações dessa força de segurança, um confronto na região começou após criminosos atacarem a base da PM. Eram cinco horas da tarde quando a troca de tiros começou.
 
A afilhada de Marinete, Carolina Farias, descreveu com pesar a comunidade onde a madrinha morava.
 
"Coração despedaçado. Uma dor imensurável. Sentimento oscilando entre tristeza e raiva. Raiva por você ter perdido a sua vida de uma forma tão brutal nesse lugar que destroça famílias e sonhos diariamente."
 
Torcedora do Fluminense, Marinete morava no Alemão com o marido e a filha mais nova, de 22 anos. Inconsolável, Aline Berto disse, nas redes sociais, que nunca imaginou que a mãe seria mais uma vítima da violência no Rio de Janeiro.
 
"Nunca pensei que isso pudesse acontecer! Tantas vezes pedi a Deus que me levasse antes da minha mãe, porque não saberia como reagir... E estou aqui sem saber! Com uma? dor sem fim, com um ódio em saber da forma tão brutal que perdi minha mãe. Sempre foi meu porto seguro, sempre me apoiou, mesmo me dando puxões de orelha... E agora? O que fazer?", lamentou a filha.
 
Ainda não se sabe de onde partiu a bala que matou Marinete. Questionada, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou apenas que a morte é investigada. 
 

Rotina de Confrontos

A escalada da violência parece não ter fim no Complexo do Alemão. Nesta terça-feira --segundo dia consecutivo de confrontos na comunidade--, quatro policiais foram baleados. De acordo com o comando da Unidade de Polícia Pacificadora Nova Brasília, policiais da unidade foram atacados por criminosos armados, por volta das 11h, durante patrulhamento na localidade conhecida como Beco do Gesso.
 
Dois policiais foram baleados na perna, um atingido de raspão na cabeça e outro por estilhaços no rosto. A PM mandou o Bope (Batalhão de Operações Especiais) como reforço para a região. Os agentes foram encaminhados para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha.
 
Mais cedo, às 9h, outro confronto assustou moradores em outro ponto da favela, na localidade do Capão. Dessa vez, não houve feridos.
 
No começo do mês, ao menos cinco pessoas foram mortas durante confrontos no Alemão. De acordo com a polícia, quatro eram suspeitos e um deles não possuía antecedentes criminais (Wesley de Lima Cardoso). Ele chegou a ser levado para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu.
 
Na ocasião, linhas de ônibus que atendem a região tiveram o trajeto alterado para garantir a segurança dos funcionários e de passageiros.
 

Balas Perdidas: 4 mortos em 7 dias

Em apenas uma semana no Rio de Janeiro, ao menos quatro pessoas morreram vítimas de bala perdida. Além de Marinete atingida nesta segunda, Wilson Melo de Oliveira, de 63 anos, foi baleado dentro de casa, na Favela do Mandela, zona norte do Rio, na última sexta-feira (27). Ele foi atingido na cabeça e morreu dentro de casa durante confronto entre traficantes e policiais militares.
 
Na sexta-feira (26), foi a vez de José dos Santos, de 75 anos. A vítima também foi atingida por uma bala perdida durante operação do Bope na Favela do Jacarezinho, também na zona norte. Ele chegou a ser levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu.
 
Na quarta-feira (24), morreu Lorraine Xavier, de 18 anos. Ela foi atingida na comunidade Vila Aliança, zona oeste, após PMs chegarem à comunidade para checar informação passada pelo Disque-Denúncia de que drogas estavam escondidas em uma igreja evangélica. Quando chegaram ao local, foram recebidos a tiros. A jovem chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Lorraine deixou uma filha de nove meses.

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