Promotor do caso Richthofen defende Andreas: "ninguém nunca pirou na vida?"

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

  • Willian Kury/Rádio Bandeirantes/

    Machucado e com a roupa rasgada, Andreas von Richthofen foi encontrado tentando pular o muro de uma casa em Santo Amaro, capital paulista

    Machucado e com a roupa rasgada, Andreas von Richthofen foi encontrado tentando pular o muro de uma casa em Santo Amaro, capital paulista

Ex-promotor de Justiça responsável pela acusação contra Suzane no caso Richthofen, Roberto Tardelli diz ter achado "uma coisa horrorosa" a repercussão da internação de Andreas von Richthofen, encontrado em estado de surto ao tentar pular o muro de uma residência na última terça (30).

"Não houve respeito nenhum a ele. Quantas pessoas não vivem esse momento de colapso nervoso, seja por uma separação, seja por uma demissão? E a gente não fica sabendo, porque não vira notícia. Agora, tudo que acontece com ele vira notícia", defende.

Tardelli acompanhou o caso desde o início, em 2002, e diz que manteve certo contato com Andreas, apesar destes não serem recorrentes. A última vez em que os dois se falaram, segundo ele, foi há dois anos, quando Andreas ainda estava concluindo o doutorado em Química pelo IQ-USP (Instituto de Química da Universidade de São Paulo).

"Suponha que ele esteja passando por um momento de estresse pessoal. A carreira acadêmica é estressante. Ninguém nunca pirou na vida?", questiona o ex-promotor.

"Estamos pegando um momento que todo mundo pode ter e estamos marcando a vida dele com isso", afirma, dizendo que Andreas "não cometeu crime nenhum". "É um rapaz educado, um gentleman, e é tratado desse jeito", pontua.

Tardelli critica, ainda, o fato de Andreas logo ter sido categorizado como "um maluco indigente" e diz que o estado em que ele foi encontrado é resultado de uma "crise nervosa". Ele defende que Andreas é uma pessoa inteligente, focada, que sofre um assédio constante devido ao seu sobrenome.

Ouvidos pelo UOL, professores do IQ-USP, por onde Andreas passou entre os anos de 2005 a 2015, também o definem como um aluno brilhante e extremamente competente.

"Imagine você: um menino que, aos 15 anos, perde a família em uma noite, vive uma tragédia sem tamanho e ainda perde completamente o direito à privacidade. A partir desse momento ele não pode ir à balada, não consegue ter uma rede social. Ele vive acuado. Ninguém suporta o que esse menino suportou", diz Tardelli.

O ex-promotor ainda declara: "se eu puder ir vê-lo e ele quiser me receber, eu gostaria muito de abraçá-lo. A única coisa que eu tenho a dar para ele é um fortíssimo abraço e dizer: você é um exemplo".

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