Zulmair Rocha/UOL

Chuvas

Rio tem a maior chuva em junho em 20 anos; Lagoa corre risco de transbordar

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

A chuva que atingiu o Rio de Janeiro nesta terça-feira (20) foi a maior registrada em uma estação pluviométrica no mês de junho nos últimos 20 anos, desde quando começaram as medições feitas pelo Sistema Alerta Rio em 1997. Nesta quarta-feira (21), a capital fluminense, que segue em estado de atenção, ainda têm pontos de alagamento, o que atrapalha a circulação nas vias da cidade.

Na manhã de hoje, havia bolsões de água na Lagoa (avenidas Borges de Medeiros e Epitácio Pessoa), na avenida das Américas, estrada dos Bandeirantes e na avenida Brasil (na altura de Benfica, Caju e Manguinhos). Também nesta quarta, foram registradas quedas de ao menos três árvores, como na estrada das Canoas, em São Conrado, onde havia interdições, e na rua Mal. Mascarenhas de Morais, próximo da rua Tonelero, em Copacabana.
Alessandro Buzas/Estadão Conteúdo
Ciclovia na Lagoa amanheceu inundada nesta quarta-feira (21)
 
Até as 23h59 desta terça, a estação Alto da Boa Vista, na zona norte, marcou 247 milímetros de chuva. O maior volume registrado havia sido em 2006 na estação Barra/Rio Centro com 154,2 milímetros.
 
Ao todo, onze estações pluviométricas da cidade registraram volume de chuva superior ao esperado para todo o mês de junho. As estatísticas levaram em conta as precipitações de um período de oito horas das 15h45 às 23h59.
 
Segundo o Centro de Operações Rio, as pancadas de chuva forte foram ocasionadas pela atuação de áreas de instabilidades, provocadas pelos ventos em altitude, umidade e a passagem de uma frente fria somadas à topografia da cidade.
 
Para esta quarta-feira, a previsão é de chuva fraca a moderada, ocasionalmente forte, em pontos isolados da cidade. O Rio de Janeiro permanece em estágio de atenção. 
A Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões postais da cidade, está com alerta de transbordo desde 5h05, segundo a Rio Águas.
 
Já os piscinões da Tijuca, na zona norte, operam com capacidade máxima. O primeiro dos três reservatórios da região, construído para evitar grandes alagamentos, começou a funcionar em 2013. 
 
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), acompanha os estragos provocados pela chuva. "Mobilizamos as equipes da prefeitura para atuar desde o início do temporal em várias regiões da cidade", disse o prefeito.
 
Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Alagamento na avenida Borges de Medeiros, na Lagoa Rodrigo de Freitas

Resgate de bote no Jardim Botânico

As principais ocorrências registradas foram bolsões d'água em ao menos 15 bairros da cidade – oito deles na zona sul. 
 
A situação mais grave ocorreu nos bairros do Jardim Botânico e do Catete. No Jardim Botânico, o acúmulo de água provocou congestionamento de mais de cinco horas. Um bote do Corpo de Bombeiros chegou a ser usado para resgatar passageiros que estavam ilhados em um ônibus. Pedestres se arriscavam nas grades do parque Jardim Botânico para tentar chegar em casa.
 
Na Lagoa, um carro chegou a ter a porta coberta de água.
 
No bairro do Catete, a água invadiu a calçada. Comerciantes tentavam fazer barreiras para evitar que a água invadisse os estabelecimentos. Funcionários do metrô avisavam aos passageiros sobre o alagamento da região e recomendavam o desembarque na estação seguinte. 
 
No Flamengo, houve queda de árvore. O bairro do Cosme Velho, onde fica o acesso ao Corcovado, registrou deslizamento de terra. A rua ficou interditada e técnicos da prefeitura trabalhavam para remover a barreira. Uma retroescavadeira era utilizada. 
 
Na zona norte, o rio Maracanã transbordou. 
 
As linhas 1 e 2 do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que funcionam na região central da cidade, foram paralisadas na terça. Hoje, o VLT opera normalmente.
 
Desde o começo da chuva, 300 toneladas de lixo já foram retiradas das ruas. Segundo a Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana), 200 garis e 30 veículos estão sendo utilizados na limpeza da cidade.
Fabiano Rocha/Agência O Globo
Bairro do Cosme Velho teve queda de barreira em decorrência da chuva
 

Sirenes acionadas 

De forma preventiva, 14 sirenes do Sistema de Alerta e Alarme Comunitário da Prefeitura do Rio foram acionadas em sete comunidades do Rio: Borel e Formiga (Tijuca), Prazeres, Escondidinho e Vila Elza (Santa Teresa), Santa Alexandrina (Rio Comprido), Guararapes (Cosme Velho), Rocinha e Rio das Pedras.
 
Os moradores foram orientados por agentes comunitários e da Defesa Civil a se dirigirem aos pontos de apoio. Os primeiros acionamentos ocorreram às 20h de terça-feira. As sirenes já foram desligadas e os moradores retornaram para suas casas em segurança por volta das 2h desta quarta-feira (21).
 

Transportes

Os dois aeroportos do Rio de Janeiro, o Santos Dumont e o Internacional Tom Jobim operam nesta quarta com auxílio de instrumentos para pousos e decolagens. Até as 10h50 de hoje, dos 49 voos programados para o Galeão, um atrasou. No Santos Dumont, dos 46 voos previstos, houve cinco atrasos e seis cancelamentos.
 
As 41 estações da MetrôRio e os acessos às estações funcionam normalmente. As linhas 1, 2 e 4 operam sem problemas desde as 5h.
 
As linhas das barcas da Praça Arariboia, Charitas, Cocotá e Paquetá também estão operando normalmente pela Baía de Guanabara, apesar da chuva que continua atingindo a cidade. Os trens da Supervia registram circulação normal em todos os ramais.

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