Skatista atropelado em SP questiona motorista: "Se ele estava com medo, imagina eu?"

Eduardo Carneiro

Colaboração para o UOL

Um dos skatistas atropelados por José Iriosvaldo Ferreira no último domingo (25), Guilherme Porto, 16 anos, questionou a versão do motorista sobre o incidente ocorrido na Rua Augusta, região central de São Paulo. Em depoimento à polícia, o motorista alegou que só avançou sobre a multidão com seu Ecosport porque estava com medo de ser linchado.

"Se ele estava com medo, imagina a gente, com um carro na nossa frente, atropelando todo mundo?", disse o estudante, em entrevista ao UOL. A exemplo de José Iriosvaldo, o menor também deu esclarecimentos na última segunda-feira, no 4º Distrito Policial (Consolação).

Além do possível temor do linchamento, o skatista também deu sua versão sobre a parte do depoimento em que o servidor público assegura que teve o carro atingido por integrantes do grupo que comemorava o Dia Mundial do Skate no evento antes de acelerar.

"Os skatistas não começaram. Tinham vários carros passando ainda, por que só quebraram o dele? Veio de alguma coisa lá de trás. Eu não estava lá, mas tinha muita gente lá em baixo que eu conhecia, que estava descendo filmando, gravando vídeo e eles me falaram... Não foi skatista que começou isso. Era uma comemoração. Ninguém queria confusão. Ele deve ter feito alguma coisa primeiro".

Guilherme, que estava com o braço enfaixado em virtude de uma queda anterior de skate, comemora por ter escapado do incidente apenas com ferimentos leves. "Dei sorte de não ter machucado mais na queda, estava com pinos (no braço) ainda. Sofri um estiramento no ligamento do joelho, mas nada muito grave. Fui ao médico e não vou ter que operar", conta o jovem, que diz que mal teve tempo de reagir.

"Estava descendo com alguns amigos, não vi nada. Só que de repente apareceu um carro subindo, acelerando em zigue-zague. Acertou meu amigo e eu. Eu caí no chão e ele passou por cima da minha perna. Não sei como não pegou em cheio, provavelmente algum desnível. Dei sorte, não foi nada grave. Meu amigo também não machucou muito. Mas vi várias pessoas feridas".

José Iriosvaldo foi liberado na segunda-feira (26) após depoimento e deve responder por lesão corporal dolosa, fuga do local de crime e periclitação de vida. Já a organização do evento acabou multada em R$ 20 mil nesta terça-feira pela (27) gestão João Doria (PSDB) por "desvirtuamento da autorização" - os participantes do evento se deslocaram antes do horário previamente combinado. Guilherme saiu em defesa dos organizadores.

"Na verdade fica difícil para a organização, não se sabe como começou. Tinha um pessoal descendo e uma galera foi atrás, não dava para segurar um monte de gente. Alguns já estavam saindo do metrô, viram eles descendo e acharam que estavam atrasados", concluiu.

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