Greve foi expressiva, mas medo de demissão prejudicou adesão, diz Boulos

Bruno Thadeu

Do UOL, em São Paulo

Coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, disse que considerou expressiva a mobilização de centrais sindicais na greve ocorrida nesta sexta-feira (30) em diversas capitais do país. Em entrevista ao jornalista e blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto, Boulos afirmou que a adesão de trabalhadores só não foi maior devido ao receio de perderem o emprego.

"O problema é que estamos em um período brutal de desemprego. As pessoas estão com medo de serem demitidas, de serem achacadas por patrões", disse o coordenador do MTST.

Dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontam que desemprego no país foi de 13,3%, em média, no trimestre de março a maio. No período, o número de desempregados no Brasil foi de 13,8 milhões de pessoas.

A mobilização de hoje foi contra as reformas da Previdência e trabalhista do governo do presidente Michel Temer (PMDB). Inicialmente, as centrais sindicais previam fazer uma greve geral, mas o movimento perdeu força nos últimos dias e apenas algumas categorias aderiram ao movimento. Os manifestantes também pedem a saída de Temer da Presidência. Além das centrais, movimentos sociais também participaram dos atos.

Greve é marcada por bloqueios de vias

Boulos disse ainda que a baixa adesão de trabalhadores do transporte público à greve enfraqueceu o movimento de hoje. Poucas capitais pararam totalmente o transporte, entre elas Belo Horizonte e Brasília. Já em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, o transporte funcionou normalmente.

"Se ela [pessoa] chega e o transporte está aberto...às vezes, o cara quer fazer greve, mas não tem o argumento para fazer greve e pode ser demitido. O trabalhador do setor privado, evidentemente, tem esse risco maior. E o fato de o cara não fazer greve, não quer dizer que ele não apoia a greve", disse Boulos.

Sobre a recusa dos metroviários paulistanos em aderir à greve desta sexta, Boulos comentou: "Os metroviários são combativos, mas ficaram isolados. Houve menor unidade das centrais, o que eu considero lamentável."

Boulos também comparou a adesão de hoje com a greve do dia 28 de abril, considera a maior dos últimos anos no Brasil. "Primeiro temos que considerar que 28 de abril foi a maior da história recente do país. O patamar estava lá em cima, mas nesta sexta houve atos unificados em várias capitais. É um grito expressivo de milhares contra essa reforma trabalhista e exigindo a saída do Michel Temer".

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