Em ação coordenada, MST ocupa fazendas de Maggi, Ricardo Teixeira e amigo de Temer

Luís Adorno, Mirthyani Bezerra e Carlos Madeiro

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em Maceió

  • Divulgação/MST

    25.jul.2017 - MST ocupa a fazenda Santa Rosa, atribuída a Ricardo Teixeira

    25.jul.2017 - MST ocupa a fazenda Santa Rosa, atribuída a Ricardo Teixeira

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocupou cinco fazendas na madrugada e manhã desta terça-feira (25) em cinco Estados do país. Os atos coordenados atingem as terras do ministro da Agricultura Blairo Maggi, do ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira e do coronel João Baptista Lima, amigo do presidente da República Michel Temer (PMDB).

A fazenda Junco, que pertenceria ao presidente nacional do PP e senador Ciro Nogueira também foi ocupada no Piauí, assim como uma propriedade em Alto Paraíso, no Paraná.

Ao UOL, o coordenador nacional do MST Gilmar Mauro afirmou que as ocupações são uma reivindicação pela reforma agrária no Brasil. "Nós queremos que as terras dos corruptos sejam destinadas às reformas agrárias", disse.
 
Divulgação/MST/Twitter
MST divulga imagem de invasão à fazenda do ministro Blairo Maggi
Segundo Mauro, o objetivo é "dialogar com a população brasileira" por meio da repercussão que as ocupações possam ter. "No Brasil, há muitas terras, de várias corruptos, que, historicamente, roubaram o nosso país e detém milhares de hectares. É uma denúncia à população brasileira e uma reivindicação. Principalmente nesse período de fome, crise e desemprego", argumentou.
 
Além das ocupações, o MST também inicia vigília até o dia 2 de agosto, quando deve ser julgado na Câmara de Deputados o prosseguimento de denúncia contra Temer.

Os trabalhadores rurais protestam também contra o aumento da violência no campo. Segundo o MST, foram 68 vítimas em 2017, sendo 13 jovens, 6 mulheres, 13 indígenas e 4 quilombolas.

Ocupações em MT, SP e RJ

No caso da ocupação da fazenda que seria do ministro Blairo Blaggi, o MST diz que a área pertence ao Grupo Amaggi e está localizada nas margens da BR-163, a 25 km da cidade de Rondonópolis (MT). Segundo o movimento, cerca de mil famílias dos Estados da região Centro-Oeste e DF estão na fazenda que seria de Maggi desde a madrugada de hoje.

Os sem-terra citam a fortuna do ministro como justificativa para a ação. "A família Maggi, segundo a revista Forbes de 2014, ocupava o sétimo lugar no ranking entre as famílias mais bilionárias do Brasil com uma fortuna estimada em 4,9 bilhões de dólares", informou o movimento em nota, dizendo ainda que a fazenda Nossa Senhora Aparecida, no município de Jaciara, é fruto de "apropriação de terras públicas".

Denise Guimarães/Folhapress
Fazenda Esmeralda, de coronel amigo de Temer

A Polícia Civil e Polícia Federal de Rondonópolis afirmam não ter conhecimento da ocupação no terreno de Maggi. Procurada, a Amaggi informou, em nota, estar "preocupada com a integridade física dos 17 colaboradores e familiares que residem na fazenda". Paralelamente, a empresa afirma que "está buscando os meios legais para reestabelecer a ordem em sua unidade produtiva".

Já as terras atribuídas ao coronel Lima ficam em Duartina, no interior de São Paulo, e possuem 1.500 hectares. "Oficialmente está registrada como sede da empresa Argeplan (Arquitetura e Engenharia LTDA.), no entanto os moradores locais a identificam como 'a fazenda do Temer' e afirmam que grande parte da área foi grilada", afirmou o movimento também em nota. Por meio de sua assessoria, o presidente Temer informou que " não tem propriedades rurais".

A PM da cidade de Duartina confirmou a invasão e informou que os dois únicos carros da polícia foram à fazenda de Lima por volta das 9h20 desta terça para conversar com as lideranças. 

O MST já havia ocupado a fazenda de Lima em maio do ano passado com o objetivo de "denunciar as conspirações golpistas de Temer". Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o presidente frequentou o local em anos de campanha eleitoral entre 2004 e 2010, ao menos. Os sem-terra dizem que Lima é "laranja" de Temer e que acusam o presidente de ser o verdadeiro dono da fazenda, que teria sido usada com "quartel-general" para planejar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

A fazenda Santa Rosa, atribuída pelo MST a Ricardo Teixeira, está sendo ocupada por cerca de 350 famílias. As terras estão localizadas no município de Piraí, região sul do Rio de Janeiro, e tem mais de 1.500 hectares. Os sem-terra argumentam que Teixeira desencadeou um "sistema de estelionato" e lavagem de dinheiro no Brasil para justificar a invasão do terreno.

A Justiça espanhola havia pedido à PGR (Procuradoria-Geral da República) na semana passada a prisão de Teixeira, que é acusado de desviar milhões de euros em jogos amistosos da seleção brasileira em um esquema que também envolvia o ex-presidente da Nike e do Barcelona, Sandro Rosell. Rosell foi preso na Espanha há dois meses. 

O Batalhão da PM de Piraí, no Rio, afirmou ao UOL que carros de polícia foram enviados ao terreno de Ricardo Teixeira assim que a ocupação ocorreu, por volta das 7h. Não houve conflito. Segundo a PM, os policiais estão lá para "manter a ordem" e evitar que vias também sejam ocupadas.

Maggi, Teixeira e Lima ainda não foram localizados para comentar a ocupação.

Divulgação/@mst_oficial
Além das fazendas, cerca de 400 pessoas ligadas ao MST bloqueiam as vias de acesso ao Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão

Outras áreas invadidas

Cerca de mil famílias do Piauí ocuparam nesta terça a fazenda Junco, que pertenceria ao presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, atual senador pelo Estado. A área fica localizada próximo à BR-316, a 22 km de Teresina. A assessoria do senador Ciro Nogueira informou que ele está em viagem.

Outra área ocupada foi a fazenda Lupus 1, 2 e 3, no município de Alto Paraíso, noroeste do Paraná. Segundo o MST, cerca de 300 famílias estão no local. O movimento diz que já foi constatado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), por meio de laudos há 10 anos, que a terra seria improdutiva e já deveria estar desapropriada para fins de reforma agrária. A ocupação é para pedir agilidade no trâmite. 

Além das fazendas, cerca de 400 pessoas ligadas aos sem-terra bloqueiam as vias de acesso ao Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. A ação protesta contra o que chamam de "entrega da base aos Estados Unidos" e em defesa da "soberania brasileira". 

Sobre as reivindicações em Alcântara, a Aeronáutica informou que Estados Unidos, França, Rússia e Israel manifestaram interesse em formalizar parceria com o Brasil para utilização do Centro de Lançamento de Alcântara. "Porém, nenhuma proposta foi formalizada até o momento. Além disso, o Ministério da Defesa mantém conversas com a direção da Embraer Defesa no sentido de o conglomerado nacional, que é sócio na Visiona, junto da Telebrás, também fixar acordos com o centro", informou.

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